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Carreira internacional: adaptação, aprendizado e planejamento

Mais da metade dos vistos concedidos para trabalhar nos Estados Unidos em 2020 foi do tipo direcionado a profissionais qualificados e empreendedores

de Camilo Tedde em 20 de maio de 2021

Com a mudança na rotina imposta pela pandemia, muitos profissionais passaram a avaliar suas escolhas para entender se o movimento atual na profissão tem contribuído para alcançar seus objetivos a médio e longo prazo. Além destes profissionais que já trilham seus caminhos, aqueles em início de carreira e que sonham com a trajetória internacional devem estar em um momento repleto de dúvidas.

Segundo dados da consultoria de mobilidade global Hayman-Woodward¹, mais da metade dos vistos concedidos para trabalhar nos Estados Unidos em 2020 foi do tipo direcionado a profissionais qualificados, liberais e empreendedores. Ou seja, mesmo em um cenário incerto, ainda há oportunidades para trabalhar fora do país. Pensando nos profissionais que sonham em fazer uma movimentação internacional e naqueles em início de carreira, compartilho algumas experiências que nortearam meu caminho profissional como forma de contribuir para o desenvolvimento de um plano de carreira.

Planejamento

Quem deseja ter uma carreira internacional precisa entender que o planejamento é fundamental. A mudança para o exterior deve estar alinhada a um plano de desenvolvimento. Ou seja, o profissional deve avaliar o que o motiva a sair do país, quais são os objetivos dessa saída, o que espera aprender e agregar à sua experiência durante o período no exterior e, ainda, considerar as metas de curto, médio ou longo prazo.

Outro ponto importante a analisar é a geografia. O sonho pode ser América do Norte, mas a melhor oportunidade está na Ásia, por exemplo. Cabe ao profissional decidir se vale a localização ou a oportunidade.

Além disso, é necessário considerar que não necessariamente a oportunidade fora do país será uma promoção (melhor se for). Caso contrário, deve-se avaliar o que vale aceitar ou ceder nessa transição. Por exemplo: um cargo com nível paralelo ou inferior ao atual, mesmo sendo fora do país, agregaria ou seria somente uma alternativa de saída? Para responder, o profissional precisa analisar se a movimentação será positiva ao desenvolvimento de sua carreira.

Família

Antes do planejamento internacional, o projeto deve ser bem alinhado com a família, pois pode envolver filhos e parceiro(a) que, para embarcar nesse plano, precisam estar dispostos a deixar uma carreira no Brasil e se adaptar ao novo país, cultura etc. Em muitos casos, a renda pode ser comprometida, pois um dos parceiros pode não ter autorização para trabalhar em determinado país (visto de trabalho) e, assim, não completar a renda familiar no exterior.

Na minha vivência internacional, acompanhei casos de executivos que foram muito bem-sucedidos e outros que retornaram ao país de origem pela não adaptação do grupo familiar. Ou seja, é fundamental que o profissional avalie se a razão da mudança é realmente sua prioridade e escolha de todos os envolvidos.

Cultura

Um erro comum no planejamento de carreira é considerar que o novo país se adaptará à nossa cultura. A melhor orientação neste caso é conversar com pessoas que trabalharam ou viveram no país de destino para entender questões básicas como modo de vida, rotina e clima. Por exemplo, em países da América Latina, onde vivi, era possível contratar um profissional para pequenos reparos domésticos, enquanto no Canadá os custos destes serviços são altíssimos uma vez que a cultura do país é do it yourself.

Além disso, há ainda a adaptação à cultura do ambiente profissional. Afinal, ainda que seja a mesma empresa, há diferenças relevantes como perfil de mercado, de clientes, das rotinas de trabalho e a forma de comunicar. Quanto mais observar e entender essas questões previamente, mais fácil será a adaptação.

Escolhas profissionais

Desde início da minha trajetória, escolhi trilhar o caminho internacional e, por isso, busquei empresas que tinham essa dinâmica como alicerce e como fundamento do desenvolvimento profissional. Afinal, é um fator importante estar em uma companhia que tem essa cultura e auxilia nas movimentações de seus executivos e suas famílias.

Brasileiros no exterior

O executivo brasileiro tem condições para desenvolver um excelente trabalho no exterior. A vivência profissional de desafios no mercado nacional molda nossa experiência e nos deixa com uma bagagem importante para nos adaptarmos aos processos de novos mercados. Na minha opinião e pela minha experiência, vejo globalmente que o profissional brasileiro é respeitado no exterior, dentro do mercado de multinacionais.

Conselho

Considerando a importância do planejamento e entendendo que o desenvolvimento de carreira é uma constante, o profissional deve, em primeiro lugar, desempenhar seu trabalho com excelência no dia a dia no país de origem. Assim, trilhará um caminho de respeito e reconhecimento e criará possibilidades para se desenvolver em qualquer mercado.

¹ – Fonte: Valor Econômico

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Camilo Tedde

Atual CEO da GSK Consumer Healthcare Brasil, Camilo Tedde tem mais de 15 anos de experiência internacional. O executivo já morou e trabalhou em países como Portugal, Peru, Chile, Canadá e, mais recentemente, Colômbia. Anteriormente, Camilo era General Manager da GSK CH Colômbia e retornou ao Brasil em setembro de 2020.