Fórum Melhor RH

Pandemia deixará legado de aproximação entre empresas e equipes

RH 4.0 e humanização são chaves para melhoria das relações internas das companhias

A pandemia obrigou as organizações a se adaptarem rapidamente ao adotarem o modelo de home office para o trabalho de seus colaboradores. Ao fazerem isso, fez-se necessária a implementação de um sistema de comunicação que permitisse aos empregados remotos manterem seu contato não apenas com as lideranças, mas também com a cultura organizacional.

“No início da pandemia (final de março), o principal desafio foi mobilizar todos os stakeholders e criar maneiras de continuarmos influenciando nossos funcionários e seus familiares a cuidarem da sua saúde. A pandemia trouxe mais aproximação com nossos parceiros”, diz Rodrigo Filus, supervisor de Benefícios de Saúde e Ergonomia Corporativa na Volkswagen do Brasil

Para ele, a comunicação digital com os colaboradores veio para ficar. “Orientar as pessoas com vídeos no WhatsApp, apresentações no Instagram, no Youtube. Tudo isso faz com que a gente esteja mais perto das pessoas. No passado, chegamos a mandar cartinhas para a casa das pessoas, mas tem sido muito mais prático nós estarmos perto dos empregados por meio das redes sociais”, afirma

“Nunca vi uma atuação tão efetiva das empresas, das operadoras, de todos os stakeholders, como nos últimos meses. Todos conectados atuando de forma colaborativa”, diz o dr. Eduardo Oliveira, CEO da Saúde iD. Para o especialista, cabem aos gestores trazerem as mudanças que viveram para o dia a dia da empresa. “Ficou claro na pandemia que sobrevivem os que tem maior capacidade de adaptação, resiliência. As empresas foram instadas a se reinventar”.

Um exemplo de mecanismo de aproximação entre empresa e funcionários é o aplicativo VW&Eu, criado pela Volkswagen em 2017, cujo uso foi bastante intenso durante a quarentena, alcançando o pico de utilização em maio deste ano.

Leitura de notícias, comunicados e talking papers; realização de fóruns de líderes e assembleias virtuais; divulgação de protocolos de segurança e de dicas de alimentação e nutrição; ações em datas específicas como o Dia da Família, dos Pais e das Mães. Tudo isso foi realizado por meio do app, conta Karine Wohlke, gerente de Transformação e Academia VW.

“Uma das dores que nós tínhamos era como melhorar a comunicação com nossos empregados, que totalizam 15 mil. Hoje, passamos todas as nossas orientações para eles pelo aplicativo e obtivemos um nível de satisfação de 87,3%, com a participação de 97% dos nossos colaboradores”, relata.

Segundo a gestora, foram registradas mais de 16 mil conversas no programa com uma média de acessos mensais de 110.612, sendo 1.216.731 o total de acessos acumulados em 2020. Ela diz que no próximo ano a empresa dará início a uma nova fase do seu RH 4.0 com a criação de uma plataforma de aprendizado online, que será disponibilizada a todos os colaboradores.

Outra empresa que também apostou no estreitamento das relações com seus empregados foi a Engie, empresa do ramo de energia. “O principal ponto de aprendizado que tivemos neste ano foi a aproximação das lideranças com as equipes”, diz Simone Barbieri, diretora de Pessoas e Cultura da Engie Brasil.

A companhia, que possui usinas e negócios em cidades remotas, precisou se readaptar durante a pandemia e transformar seus processos baseados no trabalho presencial. “Fazer as lideranças e a cultura da empresa chegar a essas pessoas distantes sempre foi um desafio. A pandemia foi uma oportunidade porque nos permitiu quebrar barreiras. Com a utilização de ferramentas digitais, como o Microsoft Teams, tivemos bons resultados, com muito mais ações de comunicação, interação e de aproximação dos líderes com os colaboradores”, afirma Barbieri.

Anualmente a organização promove uma pesquisa de engajamento com seus funcionários e, segundo a executiva, neste ano ocorreu um aumento de 10% na confiança dos empregados em relação às lideranças. Ela atribui esse resultado ao aumento da comunicação e da interação.  

A Ford é outra organização que tem buscado se conectar melhor com seus colaboradores. Segundo Lais Marangoni, supervisora de Talent América do Sul da Ford Motor Company, todo o processo de onboarding foi adaptado para o online, com games e quizzes, buscando ser mais interativo e não apenas expositivo.   

“Todo nosso processo de R&S foi adequado e se preparou para o acolhimento. Como poderíamos falar em recrutamento, onboarding, se os nossos empregados estavam passando por um período difícil, delicado, de quarentena, muitos sem estarem em contato com parentes próximos?”, diz.

Ela relata que durante o primeiro mês de pandemia a empresa realizou várias ações online para preparar os empregados para o momento de quarentena. “Falamos sobre Covid-19, trouxemos o médico da Ford para tirar dúvidas, tratamos de saúde física e mental”.

Jorgete Lemos, diretora executiva da Jorgete Lemos Pesquisas e Serviços, destaca que um fator importante, independente de recursos e Inteligência Artificial, é a humanização das relações, que deve vir antes mesmo do momento de onboarding. “O candidato deve perceber que está sendo acolhido durante todo o processo de recrutamento e seleção e não apenas ao entrar na empresa”, defende.

Para ela, a tecnologia permitiu que os setores de RH disponham de mais tempo para realizar seus trabalhos, o que possibilitaria que os profissionais da área refletissem sobre seu trabalho para focar mais na qualidade. “Será que tudo que eu estou fazendo já é o devidamente correto e não preciso melhorar? A cada ação rotineira podemos nos perguntar: ‘Será que não tenho mais nada para acrescentar para a minha empresa ou em termos de mercado?’”, analisa.

Essas discussões aconteceram durante o primeiro dia do Fórum Melhor RH Tech, realizado pela plataforma Melhor RH, na segunda-feira (14). O evento, totalmente digital e gratuito, reuniu em seus painéis e trendings gestores de RH e executivos de empresas para debater sobre os principais desafios e tendências do setor.

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