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Estamos ficando todos iguais? A inteligência artificial e os novos dilemas da criatividade

Como o RH pode unir inovação, pensamento crítico e protagonismo humano em tempos de decisões aceleradas pela tecnologia

No contexto atual, em que a inteligência artificial se infiltra em todas as camadas do trabalho, especialistas e líderes de RH se reuniram no 5º Fórum Melhor RH Tech para debater os impactos da vida digital nas organizações. Em dois painéis complementares — “Prompt para o Futuro” e “Estamos ficando todos iguais?” — discutiu-se como as tecnologias aceleram processos, mas também exigem discernimento, criatividade e estratégias de gestão da mudança.

IA como ponto de partida, não como ponto final

“A inteligência artificial não é mágica: é um algoritmo estatístico com viés de quem o treinou”, explicou Rui Moraes, gerente de design da Techware Systems. Ao destacar que a IA oferece respostas baseadas em padrões já existentes, ele reforçou a importância do pensamento crítico. “Ela te dá 80% de uma resposta, mas os 20% finais são do humano — e é aí que mora a criatividade.”

Douglas Almeida, especialista em RH, completou: “O papel do RH é garantir que os dados sejam um ponto de partida, não a resposta definitiva. A tecnologia acelera análises, mas quem interpreta e toma decisões somos nós.”

Já no painel anterior, Paola Klee, CEO da YC – Your Career Future, destacou que upskilling digital e literacia em IA não são modismos, mas necessidades reais diante da velocidade das transformações. “O prompt certo só vem com repertório e consciência crítica.”

Inovar é transformar a partir do que já existe

A discussão girou em torno de um conceito-chave: inovar não é só inventar o novo, é melhorar o que já existe. Para Douglas, todos podem ser criativos se souberem observar os processos, identificar dores e testar soluções diferentes. “A inovação está em mudar o caminho, não necessariamente o destino.”

Júlia Gamba, diretora de People da Amanco Wavin, complementou que a resistência às novas tecnologias nas empresas muitas vezes está mais ligada à insegurança sobre o próprio papel do que à dificuldade técnica. “A questão não é só treinar para o novo, mas gerar segurança para que as pessoas queiram e possam experimentar.

Humanos no início, humanos no fim

Ferramentas de produtividade servem para liberar tempo para o estratégico, não para fazer tudo por nós”, afirmou Rui. A IA ajuda a otimizar processos, gerar insights e automatizar tarefas, mas a capacidade de tomar decisões assertivas, éticas e com sensibilidade ao contexto ainda é insubstituível.

Paulo Paliarini, diretor de Tecnologia e Inovação da Propay, alertou para a armadilha do imediatismo: “Muitas vezes, implementamos tecnologias sem analisar sua integração com os processos da empresa — e isso vira mais um problema do que solução.

Douglas ressaltou que o RH deve agregar valor complementando o que a tecnologia entrega com sua vivência e conhecimento das pessoas e da cultura organizacional. “O protagonista deve ser o profissional de RH — não o algoritmo.

Cultura de mudança e pensamento sistêmico

Ao final dos debates, os especialistas compartilharam quais competências consideram essenciais para os profissionais que querem se destacar nesse novo cenário:

  • Curiosidade: vontade de aprender e buscar novas soluções.
  • Capacidade analítica: transformar dados em decisões qualificadas.
  • Escuta ativa: compreender profundamente as necessidades do negócio e das pessoas.
  • Colaboração: saber atuar em rede e contribuir em equipes multidisciplinares.
  • Experimentação: testar, errar, ajustar e seguir evoluindo.
  • Gestão da mudança: atuar com empatia, planejamento e personalização dos processos de transição.

Quem gosta de dar desculpas dificilmente será bom em outra coisa”, brincou Rui, arrancando risos dos colegas de painel. Mas a provocação é séria: o RH precisa ocupar o protagonismo na mediação entre pessoas e tecnologia.

Douglas encerrou com uma última reflexão: “Se a IA entrega tudo e você só aceita, qual é o seu valor? Inove, questione, traga contexto — porque é isso que nos diferencia.”

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