Tecnologia

“A pandemia foi o maior impulsionador da transformação digital”

Rogério Falzoni, diretor executivo do Gi BPO, fala das tendências em RPA para as empresas

de Paolla Yoshie em 22 de abril de 2021

A evolução tecnológica tem um “bum” com a pandemia. Uma tendência que era vislumbrada há muito tempo, hoje já é a realidade em muitas empresas. A Robotic Process Automation, mais conhecida como RPA é o processo de automação de serviços sem valor agregado, o que gera mais produtividade dentro das empresas. 

E para esclarecer sobre o processo de inserção e automação, o diretor executivo do Gi BPO, divisão de Business Process Outsourcing da Gi Group Brasil, Rogério Falzoni fala do impacto positivo da tecnologia dentro das empresas. 

MELHOR – Hoje, com a pandemia, o uso da RPA foi maior do que nos últimos tempos?

ROGÉRIO FALZONI – Definitivamente sim. A pandemia foi o maior impulsionador da transformação digital e nessa esfera de tecnologias, como RPA, ganharam maior share dentro das empresas de um dia para o outro. A automação de processos sempre esteve na pauta, porém com o advento da pandemia, projetos foram antecipados, retomados e muitos desenvolvidos para apoiar nesse momento que vivemos.

M – Quais são os benefícios da RPA, tanto no para empresa quanto para os colaboradores?

FALZONI – O BPO gerenciado com automação de processos através de RPA está promovendo mudanças impactantes na maneira como os trabalhadores passam a desempenhar suas funções. Estamos vendo a convergência de pessoas, processos e tecnologia, onde as pessoas agora conseguem focar na estratégia e atividades que necessitam de análise e decisão, deixando o trabalho repetitivo e sem valor agregado para os robôs. Trazendo com isso benefícios para a empresa de maior velocidade na conclusão das atividades, menor retrabalho e erros. A equipe é beneficiada pois começa a atuar em atividades mais nobres e com maior valor agregado. Conseguindo dessa maneira atuar de forma mais estratégica, o que lhes traz a sensação de contribuir ao entregar valor para a empresa ao invés de serviços tradicionais.

Um “trabalhador digital” não tem as barreiras de localidade.

M – Quais são as tendências de tecnologia para o mercado de Robotic Process Automation?

FALZONI – Hoje RPA é uma das soluções mais promissoras que temos em termos de automação, trata-se de uma solução não invasiva e que não depende de TI para ser implementada, tornando a adoção rápida e fácil em muitos casos.

Um levantamento do Gartner revela que a receita mundial com software de automação robótica de processos será de cerca de US$ 2 bilhões em 2021. O Gartner prevê que a receita global do mercado de software para automação robótica de processos (RPA – de Robotic Process Automation, em inglês) deverá atingir a marca de US$ 1,89 bilhão em 2021, número que representa um aumento de 19,5% em relação a 2020. De acordo com a mais recente pesquisa do Gartner, apesar das pressões econômicas causadas pela pandemia de COVID-19, o segmento de RPA ainda deve crescer em taxas de dois dígitos até 2024.

M – Como equilibrar a mão de obra humana e RPA?

FALZONI – Há um foco crescente em aumentar as habilidades dos trabalhadores, ajudando-os a se adaptarem melhor à automação e a não se sentirem profissionais que trabalham com tarefas sem valor agregado. Assim, como a RPA trabalha nos bastidores para melhorar o processamento dos negócios, os funcionários obtêm melhor controle e liberdade intelectual para explorar os aspectos criativos dos negócios.

Observe um aspecto crítico do RPA. Ao assumir o controle do processo de negócios, a máquina não está substituindo o funcionário – ela está capacitando o funcionário. Com o impulso tecnológico certo, os funcionários ganham uma participação maior em melhorar seu relacionamento com o cliente porque podem contribuir para o que a máquina não pode – química pessoal e compaixão.

M – E como deve ser o processo de implantação dentro da empresa? Para que o colaborador entenda os objetivos do RPA. 

FALZONI – As empresas devem comunicar o objetivo da implementação de serviços com automação e explicar aos funcionários como eles continuam estrategicamente integrados ao processo de negócios. A menos que as principais preocupações sejam atendidas, as empresas correm o risco que sua equipe pense que será substituída por robôs, o que certamente impactará no ambiente de trabalho e performance da equipe.

Você verá muito esforço para fazer com que os funcionários sintam que estão trabalhando ao lado dos “bots” para cumprir a estratégia do negócio. Os múltiplos benefícios do RPA que aumentam a produtividade dos funcionários devem ser esclarecidos. O ponto principal é que não perderemos empregos; os empregos estão sendo transformados para atender melhor o cliente. Portanto, é provável que o impacto da implantação de RPA no engajamento dos funcionários crie um trabalhador significativamente favorável, totalmente alinhado às metas organizacionais.

M – Você acha que com o crescimento de RPA dentro das empresas, cresce o número de pessoas desempregadas?

FALZONI – Certamente não, o que veremos aqui é uma migração dos postos de trabalho. Foi o que aconteceu quando os computadores substituíram as máquinas de escrever, as pessoas migraram suas atividades. RPA é um complemento às atividades dos profissionais, não uma tecnologia que irá substituir pessoas. O que a PRA entrega é trabalho complementar e não substituição de pessoas por robôs.

Hoje, tecnologias como RPA estão gerando novos empregos ao invés de desempregar pessoas, pensando em desenvolvedores, analistas, marketing e toda uma cadeia que é criada até essa tecnologia chegar ao uso dentro de um escritório.

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