Comunicação interna

Artigo – Liderança feminina na saúde: força que acolhe também transforma

Para Mariane Novais, diretora de Comunicação da Rede Américas, empatia, diversidade e escuta são elementos essenciais para fortalecer as relações dentro das organizações

de Mariane Novais em 6 de março de 2026
Liderança feminina Empatia e escuta são competências centrais

Confesso que, ao pensar em escrever este artigo, fui tomada por uma enxurrada de sentimentos. Muita coisa me veio à mente: memórias, desafios, conquistas, renúncias, aprendizados. Houve emoção, sim, e, também, um profundo orgulho de ser mulher.

Sou várias em uma só: mãe, filha, irmã, esposa, executiva. Além de atleta, eterna aprendiz e cidadã do mundo. Há mais de 25 anos, lidero times multidisciplinares em ambientes corporativos altamente exigentes. Construí minha carreira transitando por diferentes países, culturas e segmentos, do consumo à tecnologia criativa, da educação à engenharia, até chegar à saúde. Cada contexto me moldou e me ampliou.

O desafio de liderar em um setor que lida com a vida

Talvez essa própria intensidade já diga muito sobre o que é liderar sendo mulher: viver em múltiplos tempos, carregar muitas histórias e, ainda assim, encontrar clareza para transformar tudo isso em propósito.

O setor de saúde, em especial, me encanta porque aqui trabalhamos com o bem mais precioso das pessoas: a vida. Essa consciência dá sentido às decisões difíceis, aos embates estratégicos e às escolhas de marca que faço todos os dias. Essa consciência muda a régua de tudo. Dá sentido às decisões difíceis, aos embates estratégicos e às escolhas de marca que faço todos os dias.

Diversidade que fortalece o engajamento

Tenho visto que empresas com maior diversidade de gênero na liderança apresentam níveis significativamente mais altos de engajamento interno, com equipes mais motivadas e comprometidas. Embaso esse olhar com o estudo Enhancing organizational performance: how gender diversity enhances employee engagement and commitment (Nature, 2025)1, que analisou dados de mais de mil funcionários em diferentes organizações para mostrar que a diversidade de gênero tem um impacto positivo nos colaboradores.

Minha reflexão é simples: não estamos aqui para caber em modelos antigos, imitando modelos masculinos de poder. Estamos focadas em construir novos modelos. Lideramos com empatia, resiliência, sensibilidade e uma força que não agride. Uma força que cuida, transforma e faz o sistema de saúde evoluir.

A força da empatia na liderança

Estamos conquistando espaço porque trazemos algo diferente e profundamente necessário para a gestão em saúde: empatia estratégica, escuta verdadeira, resiliência, sensibilidade, capacidade de lidar com a complexidade sem perder o humano. Em um setor onde decisões impactam pacientes, famílias, profissionais e comunidades inteiras, saber ouvir, compreender e transformar dores em soluções não é detalhe, é competência central.

Aprendemos a navegar estruturas complexas sem perder nossa essência. E aqui está um ponto que considero crucial: nossa força não é dureza. Não precisamos endurecer para sermos respeitadas. Nossa força é firme, mas acolhedora. É sustentar decisões difíceis sem romper pontes. É liderar com clareza, sem esmagar; decidir com convicção, sem desumanizar.

Empatia, para mim, não é fragilidade. É inteligência relacional. Março chega todos os anos cheio de flores, campanhas e discursos sobre o “poder feminino”. Eu prefiro ir além disso.

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