#FMRHFC

O peso do trabalho invisível

A necessidade de as empresas voltarem um olhar diferenciado para a saúde da mulher, evitando a sobrecarga de trabalho e emoções

de Redação em 22 de junho de 2022
Lookstudio/ Freepik.com

Segundo dados do Google, o termo “cansada” é cinco vezes mais buscado que o termo “cansado” desde 2015 no Brasil. A sobrecarga da mulher ficou ainda maior depois da pandemia, já que na maioria dos casos, enfrenta jornada dupla (ou tripla) entre o trabalho, os cuidados com a casa e a atenção aos filhos. E não é por acaso que 42% das mulheres apresentam sintomas de burnout, como aponta a  pesquisa Women in the Workplace 2021, promovida pela LeanIn.Org e McKinsey & Company. O cenário complexo demanda atenção e mudanças práticas dentro das empresas a fim de suprir as necessidades das mulheres – já que 1 em cada 3 considerou deixar seu trabalho ou pelo menos reduzir sua jornada.

Em painel do 2° Fórum Melhor RH Felicidade Corporativa, promovido pelas plataformas Melhor RH e Negócios da Comunicação, especialistas e gestores de RH debateram a importância de promover iniciativas direcionadas à saúde da mulher, assim como programas com foco em suas vivências e especificidades de saúde mental, políticas de adaptação e flexibilidade para mães e a promoção do autocuidado constante. Participaram da discussão Angélica Consiglio, CEO da Planin; Tatiane Argenta, Empresária da Voidless – Plenitude na Gestão de Talentos da sua Empresa, e Simone Madrid, Sócia-Fundadora da Top2You.

“As mulheres tiveram todas as suas funções acumuladas e misturadas na pandemia, sem as redes de apoio normais – escolas, creches, as pessoas que as ajudavam em casa. Piorou muito, o que não quer dizer que a cobrança sobre seus resultados melhoraram”, lembra Simone . O fato expôs as dificuldades femininas e várias empresas se atentaram para isso, apresentando medidas (programas, trilhas de suporte) para ajudá-las na conciliação de funções/ tarefas para que possam construir suas carreiras sem sobrecarga, mencionou a executiva.

Apesar do sofrimento feminino na pandemia, Tatiane, por sua vez, comemora a conquista – o olhar mais cuidadoso das companhias para as colaboradoras. Não só atenta à sobrecarga feminina em geral, “mas tentando entender quem é aquela mulher, o que ela precisa e o que a empresa pode fazer por ela”, lembra a empresária.

É preciso fazer escolhas?

Angélica indagou às convidadas por que razão as mulheres são obrigadas a fazer escolhas? Como resolver essa situação? Tatiane respondeu, narrando sua própria experiência com a maternidade, em que optou por reduzir sua licença iniciando o trabalho poucas horas por dia, para que pudesse testar redes de apoio, sentir como seria a gestão de todos os papéis que tinha a desempenhar, de mãe recente, esposa e executiva já em alto cargo de gestão. O apoio da empregadora, ela conta, foi essencial para que atingisse um equilíbrio entre tudo isso e pudesse vivenciar cada função e etapa com mais qualidade de vida.

Nesse contexto, Simone cita a necessidade de a “mulher ser uma mulher em cargo executivo, e não uma mulher espelhada por um homem executivo”, o que pede que a empresa tenha um olhar diferenciado para ela, ressalta, concordando com Tatiane que o papel da organização é mesmo fundamental para torná-la plena.

Realidade das jornadas

Citando pesquisas sobre mães trabalhadoras, Angélica pergunta se a flexibilização das jornadas, para torná-las menos exaustivas, seria uma solução. Tatiane responde, citando mais uma vez, o olhar diferenciado de cada empresa sobre o seu time feminino e suas singularidades. “A solução ou a empresa que serve para A, pode não servir para B”, destaca.

“A flexibilização veio para ficar”, entende Simone. Na realidade do trabalho híbrido, “a mulher está em poder de negociar com a empresa o melhor para se organizar com suas entregas”, acredita. Nesse cenário, o autoconhecimento é chave para que ela possa ter autonomia nesse processo, obtendo o melhor em suas jornadas.

Ambas as executivas entendem que as empresas que não oferecerem essa opção não ganharão competitividade no mercado. Simone, por sua vez, lembra que a jornada flexível permite dedicar tempo ao desenvolvimento: cursos, terapias, tudo que de certa forma também influi na saúde mental dos colaboradores. Tatiane cita a oportunidade, quando o casal tem jornada flexível, de maior divisão das tarefas com o parceiro – do cuidado com os filhos a outras atividades na manutenção do lar.

Na percepção das executivas, a autocobrança é um dos principais inimigos da mulher, agravada pela falta de autoconhecimento dos próprios limites. Conhecer-se e ter autocompaixão, como cuidado individual, somados ao apoio das empresas, favorecem o crescimento, a plenitude e a felicidade da mulher no trabalho.


Quer saber mais sobre as discussões do
2º Fórum Melhor RH de Felicidade Corporativa?

Para assistir às gravações do primeiro dia do evento clique aqui . Para o segundo dia, acesse este link.


 Oferecimento:







Compartilhe nas redes sociais!

Enviar por e-mail