Gestão

Volta ao escritório vai na contra-mão do bem-estar?

Debate sobre bem-estar passa, sim, pela flexibilidade no trabalho, mas também pelo clima corporativo, pelo exemplo (e pela desconstrução de vários mitos)

de Redação em 20 de outubro de 2023
Rawpixel.com, via Freepik


Em meio à discussão sobre a tendência de retorno à jornada 100% presencial, um estudo do Gympass mostra o quanto o bem-estar do colaborador pode ser afetado pelo modelo de trabalho. O Panorama do Bem-Estar Corporativo, que ouviu mais de 5000 profissionais em nove mercados globais de atuação da empresa, acendeu luz vermelha à volta definitiva aos escritórios.

Isso porque, segundo o levantamento, os níveis de bem-estar e de produtividade são maiores quando as pessoas trabalham no ambiente em que preferem estar, sendo necessário, para tanto, flexibilizar o modelo de trabalho de maneira personalizada.

“A jornada de bem-estar é única para cada pessoa”, diz Priscila Siqueira, líder do Gympass no Brasil. “Por isso, a flexibilidade é tão importante para as empresas que, neste momento, avaliam o retorno ao trabalho presencial”, pondera a executiva.

Personalizar a gestão é também uma forma de garantir equidade de condições de bem-estar, quando se olha para o organograma da empresa e para o clima organizacional. A pesquisa mostra que a liderança apresenta bem-estar maior do que o restante da força de trabalho – um fator de desconexão entre líderes e liderados no dia a dia do trabalho, o que interfere no ambiente e no engajamento.

“A liderança precisa garantir que todos os colaboradores, especialmente os não-gestores e aqueles no início de suas carreiras, tenham o mesmo tempo, recursos e flexibilidade para o autocuidado”, avalia Priscila. “O bem-estar não é um benefício condicionado ao nível hierárquico; é o aspecto mais importante para manter seus colaboradores saudáveis, produtivos e engajados”, enfatiza a líder do Gympass no Brasil.

Números e conclusões

Fonte: Gympass | Arte: Ponto A

Mas o que os líderes podem fazer para promover o bem-estar?

Considerando condições equânimes de autocuidado, em um regime de flexibilidade, dar o exemplo pode ser um caminho para os gestores. Exemplo que se faz aderindo a (e promovendo a prática de) pausas para descompressão, hobbies e cuidados com a saúde física e mental, além de uma jornada de trabalho com carga adequada.

“Ter um hobby melhora o humor, a satisfação, e gera boas ideias. Além do impacto na saúde, os momentos de descompressão fazem com que a volta ao trabalho seja leve, com mais foco, inteligência emocional, melhor comunicação e resiliência para lidar com os desafios”, pontua Liana Chiaradia, founder e CMO da Guia da Alma, startup de soluções de saúde mental para pessoas e empresas.

E quando o assunto é bem-estar psicológico, a liderança é fundamental para quebrar estereótipos e preconceitos, entende a executiva.

“Falar de saúde mental ainda é tabu para muitas pessoas e isso se reflete no ambiente de trabalho. Quando o CEO quebra essas barreiras e trata do assunto de forma aberta por meio de ações, é capaz de transformar a cultura organizacional e influenciar a equipe para um melhor equilíbrio da vida pessoal e profissional”, considera Liana.

Acima da solidão do cargo

“A função do CEO é muito solitária e ter ânimo e cabeça forte para pensar faz com que a tomada de decisão seja melhor, mais clara e segura”, conclui Dirceu Kniess, Diretor Geral da AudioFrahm, empresa de sonorização de ambientes. O executivo faz academia três vezes por semana e sessões de acupuntura para aliviar a tensão e ter mais tranquilidade e inteligência emocional. Isso além do Tênis, que ele pratica com afinco.

“Acredito que cada pessoa vai ter seu próprio impacto na rotina, no meu caso, uso esse tempo de lazer para estimular a criatividade”, enfatiza, por sua vez, Felipe Spina, especialista em marketing digital, investidor, e CEO do Maestro ABM.“Meus momentos de descompressão fazem parte da minha agenda e é um tempo inegociável para que eu consiga ter um tempo para mim, além dos negócios”, determina o executivo.

A rotina saudável faz com que todo o time se sinta inspirado. “O exemplo é a melhor forma de inspirar. Quando os colaboradores percebem que você não só fala, mas faz, muda a percepção de todos e eles se cobram também”, avalia o empreendedor e investidor-anjo, Jairo Duarte, CEO da YourWay Solution. Para que ideias disruptivas sejam uma constante, Duarte conta com a ajuda dos esportes há pelo menos 13 anos, como corrida, squash e futebol. 

Mitos contra o bem-estar

Vanessa Lamego, Gerente de Recursos Humanos da Vetor Editora, referência em publicações sobre saúde mental, aponta os três mitos mais comuns que afetam o bem-estar na organização.

1.Trabalho não é lugar para falar de sentimentos

É sim, espaço para o tema. Contudo, “mais do que incentivar essa abertura e transpor segurança, é preciso que as lideranças de fato exercitem essa escuta ativa e demonstrem que estão atentos ao que está sendo dito”, avalia a executiva.

2. A responsabilidade é só do funcionário

Não, não é. A empresa tem o dever de (e as ferramentas para) contribuir com o bem-estar físico e mental do colaborador.

“Oferecer feedbacks de desempenho, bonificar os trabalhadores com day off, benefícios para utilização de academias ou promover ginástica laboral são exemplos simples que podem ser um bom começo. A partir daí cada empresa pode estudar que outras ferramentas são necessárias para um apoio psicológico como instrumentos de avaliação, consultorias e treinamentos.”

3. As empresas valorizam profissionais workaholic

“Os workaholics são aqueles profissionais que pensam no trabalho o tempo todo e acreditam que trabalhar mais é trabalhar melhor.” O resultado contudo, pode ser ansiedade, insônia e até burnout, aumentando o turnover e o absenteísmo nas companhias. Algo que, na verdade, vem na contra-mão das práticas empresariais atuais.

“Atualmente existem empresas com programas totalmente dedicados à saúde corporativa e ao combate de doenças mentais. O mercado está cheio de bons exemplos e organizações parceiras nesse suporte. Com esse foco fazendo parte da estratégia de um negócio, certamente ele irá crescer junto dos seus colaboradores.”

*com informações de Assessoria de Imprensa

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