As transformações nas formas de trabalhar estão redefinindo o papel das empresas, das lideranças e das estratégias de gestão de pessoas. Os debates sobre cultura organizacional, jornada de trabalho e bem-estar foram o centro das discussões nos painéis “Hora de Atualizar a Jornada” e “Erro 404: Cultura Não Encontrada”, realizados durante o 5º Fórum Melhor RH Tech, promovido pela Plataforma Melhor RH e pelo CECOM (Centro de Estudos da Comunicação).
Nos dois encontros, especialistas reforçaram que a inovação nos modelos de trabalho precisa caminhar lado a lado com a valorização das pessoas — promovendo conexão, saúde mental, flexibilidade e propósito.
Jornada mais curta, desempenho mais alto?
A discussão sobre produtividade versus tempo de trabalho foi o ponto de partida no painel “Hora de Atualizar a Jornada”, com participação de Daniele Nagem, diretora da Mercer, Marcelo Chinaglia, diretor operacional da Datamace, e Francis Augusto Silva, CFO & CHRO da Mycon Consórcios.
Daniele abriu com um dado provocativo: “Colaboradores são 40% mais produtivos em regimes de quatro dias de trabalho, segundo a Stanford University. Como equilibrar metas, motivação e qualidade de vida?”
Para Silva, não há receita única: “Cada pessoa e função têm dinâmicas diferentes. Áreas como atendimento e suporte têm desafios maiores para implementar a flexibilidade, mas equilíbrio sempre gera mais produtividade.”
Chinaglia compartilhou a realidade da Datamace, onde diferentes setores exigem abordagens distintas. “Em projetos com início, meio e fim bem definidos, o importante é a entrega, não as horas registradas. Mas em áreas como manutenção, que envolvem custos e atendimento direto, o cuidado precisa ser maior.”
Cultura em ambientes híbridos: conexão como prioridade
No painel “Erro 404: Cultura Não Encontrada”, a atenção se voltou para os desafios de manter cultura e engajamento à distância. Participaram Paola Klee, CEO da YC – Your Career Future, Danilo Camapum, gerente de Gente e Gestão da LG lugar de gente, e Tiago Mavichian, CEO da Companhia de Estágios.
Camapum destacou que o trabalho híbrido exige ações intencionais de inclusão e planejamento da liderança. “No início da pandemia, tentamos copiar o presencial no online. Hoje entendemos que são formatos diferentes e precisamos criar interações específicas.”
Na LG, o uso da rede social interna Viva Engage ajudou a substituir a intranet e ampliar a autonomia de publicação, interação e construção cultural, inclusive entre profissionais 100% remotos. “É nosso metaverso interno”, brincou Camapum.
Mavichian trouxe o papel da comunicação frequente e humanizada como pilar da cultura. “Aqui, 80% do bônus é baseado na meta corporativa, o que reforça a colaboração. Reuniões trimestrais seguidas de happy hours e feedbacks contínuos também ajudam a criar identidade.”
Paola apontou os valores e a carreira como os dois principais “elos de conexão” entre colaborador e empresa. Ela relatou projetos implementados pela YC – Your Career Future com foco em transformação cultural e gestão da identidade organizacional — mesmo em contextos 100% online e com equipes descentralizadas. “Trabalhamos com projetos por valores, com patrocinadores internos, indicadores e entregas claras. O resultado foi o fortalecimento do engajamento e alinhamento estratégico.”
Ela também ressaltou a importância do bem-estar digital, citando iniciativas como dias sem reunião, limites para comunicação assíncrona e escuta ativa da liderança. “É preciso combater a fadiga digital e oferecer espaços de acolhimento, mesmo à distância.”
Liderança como guardiã da cultura e do bem-estar
Nos dois painéis, os especialistas concordaram que a liderança é a ponte entre a cultura e a experiência dos colaboradores. Práticas como one-on-one, feedbacks frequentes, proximidade simbólica e transparência nas metas foram apontadas como decisivas para a conexão.
Camapum compartilhou a criação de espaços como o “Papo com o Presidente” e o “Direto ao ponto com o RH”, que promovem diálogo aberto entre colaboradores e alta liderança.
Mavichian destacou que “a cultura é a informação em contexto”. Segundo ele, é papel do líder interpretar e reforçar a cultura por meio das relações do dia a dia. “É o líder que comunica, traduz a estratégia e promove um ambiente colaborativo.”
Paola finalizou: “A cultura se fortalece quando a liderança age com empatia, coerência e profundidade.”
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