Os clientes sempre me perguntam se é melhor investir em programas de desenvolvimento de lideranças customizados (turmas fechadas) para a organização, ou se é melhor inscrever os executivos em programas existentes (turmas abertas), oferecidos de maneira ampla pelas escolas de negócios, nos quais os participantes têm oportunidade de interagir com colegas de diversos setores e organizações, ampliando sua rede de relacionamentos e entrando em contato com diferentes perspectivas.
Eu sempre defendo que a melhor decisão seria equilibrar as duas alternativas, realizando programas customizados para desenvolver competências estratégicas no time executivo de maneira coletiva e trabalhar o desenvolvimento individual em programas abertos. Temos observado com sucesso a combinação dessas duas estratégias nos nossos programas abertos da FGV Educação Executiva e Alta Gestão, bem como nos cursos customizados do FGV In Company.
Quando o desenvolvimento individual não basta
Contudo, um artigo científico (1) recentemente publicado na Academy of Management Learning & Education review, um dos periódicos científicos mais importantes no campo da educação e gestão, traz novos argumentos em prol da busca deste equilíbrio.
Nele, um grupo de pesquisadores latino-americanos com experiência global chama a atenção para o fato de que a vantagem competitiva – proveniente do desenvolvimento de competências estratégicas e da capacidade de liderança – é um fenômeno coletivo e que há amplas evidências científicas nos últimos 30 anos demonstrando que a capacidade do time executivo é mais relevante para a performance da organização do que o talento individual.
Dessa maneira, embora o aprendizado individual seja o elemento básico para a construção de capacidades organizacionais, são as iniciativas de desenvolvimento centradas no time que fazem a real diferença na construção das competências estratégicas de liderança, pois elas contribuem para uma melhora coletiva do processo de interpretação crítica das mudanças no ambiente, tomada de decisões e implementação da estratégia.
Um ambiente seguro não elimina a tensão
Os autores também chamam a atenção para o fato de que o desenho dos programas capazes de gerar tal efeito precisa combinar experiências que levem o grupo a experimentar um nível de tensão produtiva e criativa. Isso deve ocorrer dentro de um ambiente seguro para as interações, que leve o grupo a aprimorar sua dinâmica de relacionamento e enfrentamento de desafios competitivos; também a analisar problemas e situações com uma perspectiva multinível e fazer conexões com estruturas conceituais amplas.
Para que esta abordagem seja bem-sucedida, é importante também que os participantes convivam com um tipo de autoridade dual, provida pelo principal stakeholder da iniciativa, normalmente o CEO, e pelos professores/facilitadores que conduzem o programa, consubstanciada na sua notoriedade e experiência sólida na condução de experiências dessa natureza.
Se quiser saber mais sobre como o FGV In Company tem conduzido programas customizados para times de lideranças em empresas e governos, entre em contato conosco ou participe dos nossos eventos.
Para equilibrar sua estratégia, acesse nossos sites da Educação Executiva e do Alta Gestão.
Referências:
- Vassolo, R. S. et al.; Toward a Model of Top Management Team Strategic Leadership Development; Academy of Management Learning & Education 2026, Vol. 00, No. 00, 1–25. Toward a Model of Top Management Team Strategic Leadership Development
