8º Fórum de Jornalismo Regional e Comunitário e 8º Fórum de Jornalismo Especializado – O Pulso Ainda Pulsa
Disseram que o jornalismo estava acabando, que ninguém mais queria ler. O algoritmo seria o novo editor, o influencer virou o repórter e o vídeo substituiu a apuração. Mas o pulso ainda pulsa.
Seja nas redações de bairro resolvendo um problema local ou quando a ciência é explicada. Seja combatendo a desinformação, narrando a cultura, simplificando a complexidade do mundo. Saturados de informação, desinformação e disputas narrativas, tudo é consumível como conteúdo. Mas nem sempre pode ser chamado de jornalismo. Então, como permanecer relevante quando a tecnologia redistribui autoridade, os intermediários da informação se multiplicam e a confiança pública oscila?
No cenário em que 47% das pessoas no Brasil evitam notícias com frequência, segundo o Reuters Digital News Report 2026, da Universidade de Oxford, o desafio não é apenas informar — é reconectar. Por aqui, a confiança no jornalismo está em um dos menores patamares da história: apenas 36% dos brasileiros confia nas notícias em geral, em meio a polarização política e debates sobre as eleições presidenciais.
Diante disso, os veículos encaram o desafio diário de trabalhar para conquistar a confiança perdida e não perder espaço para novas fontes de informação, como as ferramentas de IA, utilizadas desse modo por 1 em cada 5 jovens.
Ainda assim, sinais de resiliência emergem. Plataformas de newsletter e projetos independentes têm mostrado que há espaço para iniciativas que privilegiam profundidade e relação direta com o público. Esse movimento sugere que, diante do desgaste das redes sociais e da saturação informacional, parte da audiência volta a buscar conteúdos mais consistentes e confiáveis.
No Brasil, cerca de 52% da população afirma ter interesse em notícias, enquanto 42% confiam no conteúdo veiculado pela mídia — um dado que revela não apenas um desafio de credibilidade, mas também uma oportunidade de reconexão. Essa tendência à informação com credibilidade também desponta no fortalecimento do jornalismo local: em 2025, o Atlas da Notícia registrou redução de 7,7% dos desertos de notícias no país e apontou o crescimento de iniciativas digitais, mostrando que, em muitas regiões, especialmente no Nordeste, novas experiências online vêm ampliando a cobertura de territórios antes desassistidos.
Diante de demonstrações como essa, o jornalismo reafirma sua função pública. Não apenas como fornecedor de informação, mas como instituição que preserva a democracia, impede a desinformação de se espalhar, mantém os diálogos vivos e o conhecimento acessível.
Nesta edição do Fórum de Jornalismo Especializado e Jornalismo Comunitário, profissionais debatem os rumos do jornalismo como instituição vital para a sociedade e expõem as muitas formas com que a produção de notícias se reinventa, se adapta, se aproxima de novas linguagens e constrói novas relações com a sociedade — sem abrir mão da ética e dos princípios fundamentais que fazem a profissão seguir desafiando a própria morte, com pulso forte, que ainda pulsa.
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