O 2º Fórum Melhor RH Innovation realizou um evento presencial com três painéis, no mesmo dia da realização do Prêmio Melhor RH Innovation, dia 9, no Teatro Moise Safra, em São Paulo:
“O novo mandato do RH – IA e automação nas profissões promovem recomposição do que significa trabalhar“. Com Marcelo Murilo da Silva, VP de Inovação na Benner; Raquel Cardoso, vice-presidente de pessoas na Motiva; e Tatiana Romero, diretora de RH e Sustentabilidade da Edenred.
“Quem é você no movimento do novo? – O impacto de entender como diferentes perfis reagem à mudança“. Com Edna Rocha, diretora de Recursos Humanos na Sonepar; Kiko Campos, executivo de RH; Mariana Ceripieri, diretora de Recursos Humanos na Siemens; e Viviane Gaspari, CHRO e head de Recursos Humanos no Grupo Carrefour Brasil.
“Para que o líder possa ver além, é importante fortalecer a visão de futuro como uma habilidade dentro das equipes.” Com Carolina Levy, diretora de Remuneração e Projetos na Cogna Educação; Douglas Almeida, sócio Proprietário na Aspyra Mentoria; Mariana Malagutti, diretora de RH da Cia Tradicional de Comércio; e Vanessa Salles, superintendente de Recursos Humanos na Livelo.

Márcio Cardial
Márcio Cardial, diretor do Cecom – Centro de Estudos da Comunicação e Plataformas Melhor RH e Negócios da Comunicação, lembrou que “vivemos um momento em que o RH é chamado para participar de discussões cada vez mais complexas. Essas discussões incluem tecnologia, inteligência artificial, produtividade, lideranças, transformação cultural, novas competências e cultura do trabalho, entre outros. Que deixaram de ser temas periféricos e hoje fazem parte das decisões que moldam o presente e o futuro das organizações”.
No primeiro painel, Marcelo, da Benner, alertou que é inevitável que a inteligência artificial vá reduzir posições de trabalho. E devemos preparar nossos times para essa transição. A IA, também, segundo ele, irá mudar a forma de encarar os negócios, em que agora iremos precisar de pessoas mais antenadas em análise de cenários, criatividade, intuição, “skills” um pouco diferentes daquelas com que estávamos acostumados.

Falando desses desafios, Raquel, da Motiva, disse que “estamos cada vez mais buscando ser os arquitetos dessas transformações, que se referem a humanos, tecnologia e comportamento. Tudo isso tem como centro a transformação cultural. Deixamos de competir com a máquina, via IA, e buscamos a complementariedade”. E concordou que serão necessários novos skills e capacidades. E, para isso, a empresa está promovendo um grande programa interno de treinamento. Do público que será impactado pela tecnologia, segundo levantamento da empresa, 60% são mulheres, e destas 40% têm menores de 18 anos como dependentes. “O que mostra nossa responsabilidade social nesse processo”. E as lideranças participam, escutando as dores, entendendo os processos e propondo desafios, conduzindo essa transformação com apoio do RH.
“O autoconhecimento é um fator chave na carreira”, determinou Tatiana, da Edenred, comparando com sua própria vivência pessoal. “E a IA que trouxe essa provocação. O que necessita de um letramento das pessoas para usar essa nova tecnologia. Esse letramento, via treinamento, está sendo feito por uma equipe interna multidisciplinar e com funcionários de diversos níveis hierárquicos, que conduzem a transmissão de conhecimento para todas as equipes. Por enquanto não existem planos de demissão por conta da IA, Tatiane, revela. O que está acontecendo é readequação e recolocação interna de posições. Numa unidade do Sul do país, por exemplo, mecânicos estão sendo treinados para sair da oficina e trabalhar no apoio à distância a outros motoristas. “A IA está criando atividades diferentes”.
Movimento do novo
No segundo painel, o executivo de RH Kiko Campos observou que o tema do painel não costuma estar no radar da inovação, mas seus componentes são extremamente importantes: ceticismo, resistência, evidências, dados, liderança e segurança psicológica. Apesar de simples, esses temas, para a inovação, são críticos.

Viviane, do Carrefour, falando de ceticismo e resistência, em termos de mudanças dentro das organizações, disse que “a resistência vem daquilo que traz riscos para a pessoa. E, quando falamos de IA, de automação, as pessoas se perguntam: onde eu me vejo nisso? E o RH tem um papel importante nesse processo, que é ajudar a ressignificar e mostrar que o colaborador é relevante, independentemente do novo papel que irá assumir.
Edna, da Sonepar, ressaltou que o ser humano não nasceu para desafios, e sim para segurança. A solução, segundo ela, “passa por uma comunicação transparente. Conversando com as pessoas como adultos. Trabalhar a comunicação e a informação são importantes. Para as pessoas entenderem o que está acontecendo e conseguirem se posicionar dentro dessa mudança.
Complementando os demais participantes, Mariana, da Siemens, abordou o papel do líder, de articulador nesse contexto da transformação e da estratégia organizacional. Como articular isso para o líder é um papel muito intenso, segundo a executiva. “O que significam essas mudanças e como chegarão a cada função? De qualquer forma, será a competitividade do mercado que determinará o ritmo das mudanças internas.”
Lideranças

O terceiro e último painel tratou do assunto liderança. “O líder é nosso cliente”, enfatizou Douglas, da Aspyra, na abertura do painel. “O grande problema hoje é o excesso da rotina da liderança, e corremos o perigo de ficar presos nesse operacional que é muito intenso. E o perigo é desenvolvermos uma miopia estratégica: o foco fica limitado ao próximo passo, uma visão de curto prazo.
Vanessa, da Livelo, recomenda para as lideranças colocar intencionalidade nas ações: “Podemos fazer o que quisermos no futuro, contanto que tenhamos os resultados de curto prazo. Devemos acompanhar os resultados e exigir que essas entregas aconteçam.
Já Mariana, da Cia. Tradicional de Comércio, por estar no segmento de restaurantes, ponderou que, em sua empresa, as equipes estão muito focadas no processo, no dia a dia. E a inovação tem a ver com a relação com o cliente. “Em nossos treinamentos falamos muito da jornada de atendimento, como podemos pensar além para surpreender. Nós nos baseamos muito no jeito Disney de trabalhar: o que é surpreendência para você é sucesso para mim. Por isso, a inovação não está no digital necessariamente, e sim na relação com o cliente.
A construção de cenários foi colocada por Carolina, da Cogna Educação, ao dizer que em sua empresa existem duas vertentes de planejamento estratégico: “Primeiro, parte de uma discussão mais restrita da alta liderança e depois trabalhamos todo o desdobramento dessa estratégia para todos os níveis de liderança. E envolvemos as lideranças na confecção de iniciativas de entrega dos objetivos de longo prazo. Acreditamos também na cultura e, assim, entregar resultados passa a empreender. E empreender é inovar.
Oferecimento:

