Inovação

IA mudou o jeito de trabalhar e agora é a vez de mudar a gestão de pessoas

Monalisa Alcantara, da Tecnobank, reflete sobre o papel do RH na formação de profissionais e líderes capazes de usar a inteligência artificial sem abrir mão do pensamento crítico

de Monalisa Alcantara em 27 de julho de 2026
inovação e IA

Durante muito tempo, a inovação nas empresas esteve associada à adoção de novas tecnologias. Hoje, a inteligência artificial ocupa esse espaço, resumindo reuniões, apoiando recrutamentos, organizando informações, criando apresentações e acelerando tarefas que antes consumiam horas de trabalho.

Contudo, a pergunta que realmente importa é outra. Estamos formando profissionais capazes de trabalhar efetivamente com IA ou apenas pessoas que sabem utilizá-la? A tecnologia está redefinindo quais competências passam a ser estratégicas dentro das organizações, e entre elas, uma que ganha cada vez mais relevância é a capacidade de pensar criticamente.

Quanto mais tecnologia, maior a responsabilidade humana

Quanto mais avançadas são as ferramentas, maior é a responsabilidade humana de questionar respostas, validar informações, interpretar contextos e tomar decisões. Essa lógica vale para praticamente todas as áreas da empresa, mas ganha um peso ainda maior dentro do RH. Estamos falando de carreiras, desenvolvimento e cultura organizacional, temas que exigem contexto, escuta e sensibilidade. Nenhuma ferramenta substitui uma conversa difícil entre líder e colaborador, compreende as motivações de um profissional ou constrói confiança dentro de uma equipe.

As ferramentas ajudam a organizar informações, registrar entrevistas e tornar atividades operacionais mais eficientes. O principal ganho, no entanto, não está na automação em si, mas sim no tempo que ela devolve para que possamos ouvir melhor os candidatos, fazer perguntas mais qualificadas e tomar decisões mais conscientes. É imprescindível, também, passar a observar um aspecto que até pouco tempo atrás não fazia parte das entrevistas, que é entender como os candidatos utilizam inteligência artificial na rotina de trabalho. O ponto não é buscar especialistas em tecnologia, mas profissionais capazes de integrar essas ferramentas ao dia a dia sem abrir mão da análise crítica e da responsabilidade sobre as entregas.

Saber usar já não é suficiente

Essa talvez seja uma das mudanças mais relevantes do mercado de trabalho, pois dominar uma plataforma deixou de ser suficiente. Hoje, é preciso desenvolver repertório para saber quando confiar na tecnologia, quando questioná-la e quando a melhor resposta ainda depende da experiência humana.

Ao mesmo tempo, percebo um movimento de amadurecimento nas empresas. Depois da corrida para incorporar IA em praticamente tudo, começa a ficar evidente que tecnologia, sozinha, não resolve desafios de gestão. Em alguns casos, ela cria camadas de complexidade, seja pelo custo de implementação, pela necessidade constante de revisão das informações ou pela falsa impressão de que processos essencialmente humanos podem ser automatizados de ponta a ponta.

Liderar equipes que trabalham com IA

Por isso, acredito que um dos principais papéis da área de gestão de pessoas neste momento seja preparar lideranças para essa nova realidade. Não apenas ensinando como utilizar ferramentas de IA, mas desenvolvendo gestores capazes de liderar equipes que convivem diariamente com elas. Isso exige novos critérios de avaliação, novas habilidades e uma visão muito mais consistente sobre aprendizagem contínua.

A tecnologia continuará evoluindo em uma velocidade impressionante, mas o diferencial competitivo continuará sendo humano. As empresas que sairão na frente não serão, necessariamente, aquelas com a inteligência artificial mais sofisticada. Serão aquelas que conseguirem desenvolver pessoas capazes de pensar melhor, decidir melhor e usar a tecnologia como uma aliada, nunca como substituta da própria inteligência.

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