Carreira e Educação

“Não adianta ter fome de partir, se você não acredita no que está fazendo”

Pedro Janot, executivo e conselheiro da Azul linhas aéreas, fala sobre as ânsias da Geração Y em seu livro “A vida é tudo o que você faz com ela”

de Paolla Yoshie em 11 de maio de 2021

“Qual caminho devo seguir?”,  “Qual profissão devo exercer?”, “Qual faculdade devo fazer?”. Essas são dúvidas presentes no dia a dia dos jovens que estão começando uma carreira. 

Pensando nas ânsias da Geração Y, o executivo Pedro Janot lançou recentemente o livro “A vida é tudo o que você faz com ela”. A obra é um guia para identificar suas capacidades e seus objetivos profissionais. O autor traz para o leitor  insights da sua trajetória de vida e sua carreira em grandes organizações. 

Pedro Janot, executivo e autor do livro “A vida é tudo o que você faz com ela”

Executivo e conselheiro da Azul linhas aéreas, Janot já foi CEO da Zara no Brasil e também presidente da primeira companhia aérea low-cost do país. Em entrevista à Plataforma Melhor RH, falou sobre a questão do jovem no início da carreira. 

MELHOR – Como foi a experiência de escrever um livro de carreira, em plena pandemia com toda essa era de incertezas?

 PEDRO JANOT  – O que é certo, é a incerteza. E sempre foi assim, não é de hoje na pandemia. As incertezas podem mudar de tamanho, mas o normal são as incertezas. Uma pesquisa estadunidense diz que no Brasil e nos EUA 57% das pessoas estão infelizes com que estão fazendo. E isso é um dado muito importante porque dentro desses 57% nos temos nossos jovens. 

MELHOR – O que é um jovem hoje?

 PEDRO JANOT – Um jovem hoje tem 32 anos, na minha época era 24. O mundo era diferente, você podia pegar um ônibus sem ser roubado, esfaqueado. Era uma outra liberdade, com menos medo e insegurança. E nós não vivíamos a era do celular, a Era imediatista. 

Eu tenho filhos que estão nessa fase e eu via muita dificuldade deles de criarem oportunidades para si próprios, de buscar os caminhos e o que quer fazerem de verdade, e isto só está acontecendo. 

E eu criei um livro com caminhos lógicos com quem eu era naquela época, com os meus medos e o que eu fazia. Tem uma passagem no livro que diz o seguinte: “ escreva com um lápis em um papel quem você é, quem é sua família, quais são as suas grandes dificuldades, aonde você quer ir, o que você quer fazer para chegar no seu objetivo”.

Essa ferramenta eu usei aos meus 37 anos para me posicionar. Está é uma forma de cair sua ficha e olhar para o espelho. E esse foi meu objetivo, para passar para esta geração e para a geração mais velha, beirando os 40. 

MELHOR-  Os jovens têm medo de assumir riscos?

JANOT –  Primeiro que eles estão realmente ligados ao que eles amam, o mundo da tecnologia. Ter o celular você toma conta do mundo, do teu mundo. E hoje, existe uma busca muito grande pelo propósito. Ele esta buscando o alinhamento do propósito da companhia com o propósito dele. E depois, se não há esse alinhamento você tem medo de seguir porque você não acredita no que você está fazendo e o porquê vai faze- lo.

E o que é o propósito na gestão? É o sonho coletivo, os valores de cada organização e isso somando traz uma cultura. 

Se você contrata pelos valores, você está fazendo a contratação certa. Se você contrata pela técnica, você está fazendo uma contratação errada porque no final o que fica é a espinha dorsal, os valores. 

E depois tem a tal da qualidade de vida. É o equilíbrio entre a quantidade de trabalho que você quer ter e o tempo que você quer ter para fazer as suas coisas. Os jovens querem qualidade de vida. Eles querem sair nos horários que tiverem que sair, mas não estão dispostos a trabalhar 12 horas por dia. 

MELHOR – O que é mais difícil hoje em dia? É o jovem que não tem o planejamento da carreira?

JANOT –  Acho que planejamento de carreira tem muito haver com estudo, educação.  Você faz uma faculdade de engenharia, depois você quer se especializar. Mas na verdade, a vida é a vida e ela toma um rumo que ela quiser tomar. Então, o fato de planejar uma carreira não é de fato que isso vá acontecer.

Eu fiz 4 anos de engenharia, abandonei e fui fazer administração que para mim era igual ler gibi. Mas a maré da vida é mais forte do que qualquer planejamento de carreira. Porém, se você não planejar você não vai a lugar nenhum. 

MELHOR – E como fazer esta mudança de rota?

JANOT –  Essa mudança é suas habilidades serem reconhecidas no mercado e sua flexibilidade. Você pode ser um cara super fera em TI, mas é chato. Ninguém vai te indicar para uma carreira.

Você vai criando musculatura ao longo da vida e com isso pode “pivotar” e buscar outra coisa. 

MELHOR –  Como lidar com as frustrações ao longo da carreira?

JANOT-  É uma geração que pouca frustração tiveram. Uma  geração que pegou no mundo em um momento econômico que tínhamos 5% de desemprego no Brasil, em uma determinada época. E as coisas estavam plena. 

MELHOR – Qual o conselho daria para um jovem no início de carreira?

JANOT – Meu conselho é que eles tentem se apaixonar por alguma coisa porque só a paixão é capaz de trazer felicidade. A segunda coisa é ter fome de crescer, fome de ser promovido, fome de ter mais bônus, fome de ter mais salário. E o principal, é a fome de aprender e ter um olhar crítico. Um olhar como se fosse um tigre caçando. Você é o tempo inteiro um tigre caçando oportunidades. 

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