Entrevista

A inteligência emocional como chave para o sucesso

Em entrevista à Melhor RH, Carlos Aldan, CEO do grupo Kronberg, destaca como gerir e usar as emoções de forma construtiva

de Melissa Rocha em 4 de outubro de 2021

Você sabe o que é inteligência emocional? Trata-se de um conceito da psicologia ligado ao autoconhecimento e à capacidade de gerir as próprias emoções de forma construtiva. Mas não só isso: a inteligência emocional também consiste em saber reconhecer e compreender as emoções do outro, tornando viável a construção de uma relação saudável.

Cultivar a inteligência emocional é algo de suma importância, tanto para a vida pessoal quanto para profissional, especialmente para aqueles que exercem cargos de liderança. Com isso em vista, a Melhor RH entrevistou Carlos Aldan, antropólogo, sociólogo e CEO do Grupo Kronberg e uma das maiores referências em inteligência emocional.

Melhor RH: O que é a inteligência emocional e como ela impacta em nossa vida?

Carlos Aldan: A inteligência emocional é um conjunto de competências, que podem ser medidas e desenvolvidas, que nos habilitam a transformar emoções em comportamentos produtivos e positivos na vida. Inúmeras pesquisas nessas últimas três décadas demonstram que ela é o maior preditor de sucesso na vida. Quanto mais desenvolvemos nossa autoconsciência, autorregulação emocional e autodireção (empatia e propósito), maior nossa eficácia, influência, tomada de decisão, melhor capacidade relacional, tanto na vida íntima, social como profissional. Maior, também, nosso bem-estar e qualidade de vida.

Melhor RH: Esse conceito está relacionado a esconder ou disfarçar nossas emoções?

Carlos Aldan: Esconder nossas emoções é uma impossibilidade prática para nós humanos. Elas se manifestam em nosso olhar, nossas expressões faciais e corporais. Quanto a tentar esconder emoções como estratégia, entendemos que se trata de um esforço improdutivo e pouco saudável. Improdutivo porque emoções possuem energia, dados e informações vitais para nossa saúde física e mental. Não fazer uso desses recursos de maneira emocionalmente sábia nos parece pouco cognitivamente inteligente. Pouco saudável porque se emoções ficam escondidas, um dia elas aparecem de forma acumulada, como sujeira debaixo do tapete; e podem determinar nosso comportamento, sem nos darmos conta.

Melhor RH: Que impactos positivos a pessoa tem em sua vida uma vez que consegue desenvolver a autoconsciência? 

Carlos Aldan: A autoconsciência é o alicerce da inteligência emocional. Quanto mais desenvolvida, maior oportunidades de escolhas e de mudanças criamos em nossas vidas. A autoconsciência nos permite notar nossos estados internos – emoções e inputs sensoriais do corpo, que sofrem alterações a partir de estímulos externos e mudanças no corpo – e como esses influenciam nossos processos mentais e comportamentos. Por meio da autoconsciência desenvolvida, passamos a ter uma noção realista de nossos pontos fortes e fracos e, consequentemente, a humildade para alinharmos nossa autopercepção com a maneira que somos percebidos pelo outros e com o que precisamos e podemos desenvolver para atingirmos nossas metas profissionais e pessoais.

Melhor RH: Qualquer pessoa, mesmo a mais impulsiva, é capaz de desenvolver a autoconsciência? 

Carlos Aldan: Desde que a pessoa queira e se dedique com disciplina, foco e muita energia aos exercícios e intervenções que a Kronberg vem desenvolvendo com seus clientes no Brasil desde 2002, a mudança profunda e duradoura é possível em qualquer idade. Mudança não só na autoconsciência mas na autorregulação emocional, empatia, otimismo, motivação intrínseca e na capacidade de encontrar um propósito na vida.

Melhor RH: Em tempos de pandemia, você tem percebido uma maior necessidade da população em cuidar da saúde emocional?

Carlos Aldan: A pandemia exacerbou problemas de saúde mental que já eram muito graves antes. A Kronberg vem pesquisando o estado emocional de mais de 15.000 pessoas, desde maio de 2020. A ansiedade é a emoção que mais aparece entre os pesquisados, seguida de medo, incerteza, angústia e tristeza, como resultado de perdas antecipatórias – medo de perda de saúde, da própria morte e de pessoas queridas, perda de segurança financeira, de emprego e até mesmo de nossa identidade. Viver quase dois anos nessas condições tem tido um enorme impacto na consciência das pessoas e organizações para a importância do cuidado com a saúde emocional. Acreditamos que essa situação calamitosa enfrentada por 100% da população mundial, sem distinção de classe, posição social, econômica e cultural, possa ser um catalista crucial para promovermos uma vida mais humana, saudável e compassiva em nosso planeta.

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