Entrevista

Como fornecer apoio ao colaborador em crise

Em entrevista, Heloísa Capelas, CEO do Centro Hoffman no Brasil, destaca como apoiar colaboradores que sofrem com estresse, ansiedade e burnout

de Débora em 4 de outubro de 2021

Se há um tema que atualmente anda no centro do debate em empresas é a saúde mental dos colaboradores. Com muitas empresas buscando um relacionamento mais humanizado com seus funcionários, temas como ansiedade, depressão e esgotamento vêm sendo discutidos mais profundamente entre gestores.

Mas engana-se que tais problemas de saúde estão ligados apenas à pandemia. Antes mesmo do novo coronavírus virar nossa rotina de ponta cabeça, muitas pesquisas já alertavam para um expressivo aumento no número de trabalhadores sofrendo com estresse e síndrome de burnout. Em dezembro de 2019, por exemplo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que o estresse crônico relativo ao trabalho já afetava quase 20 milhões de brasileiros, levando muitos deles a desenvolverem quadros de burnout.

Em entrevista à Melhor RH, Heloísa Capelas, CEO do Centro Hoffman no Brasil, também destacou que tais problemas de saúde precedem a pandemia, embora tenham sido agravados pela crise sanitária.

“As doenças emocionais estão em foco já há algum tempo mesmo antes da pandemia. Temos acompanhado há alguns anos o avanço no número de pessoas diagnosticadas com quadros de ansiedade e depressão. Na minha percepção, o que precisa mudar é a forma como lidamos com essas questões, que, sim, foram agravadas pela pandemia, mas não existem exclusivamente como consequência dela”, diz Capelas. 

Heloísa Capelas aponta que o primeiro passo para reverter essa situação é retirar o estigma que cerca doenças ligadas à saúde mental. Segundo sua visão, reconhecendo que há um problema, a cura se torna viável.

“Aceitação e acolhimento são partes essenciais no caminho de cura das doenças emocionais. Se procuramos ajuda quando apresentamos um sintoma físico, por que ainda relutamos tanto quando nos deparamos com um sintoma emocional?”, questiona.

E como gestores podem identificar um colaborador que esteja passando por essa situação? Segundo Heloísa, uma das formas é ficar atento a toda variação de comportamento, mesmo aquelas que, num primeiro momento, podem parecer positivas.

“Um profissional que, do dia para a noite, começa a produzir muito mais, render muito mais, pode estar vivendo uma pressão interna (ou mesmo externa) tão intensa que, eventualmente, poderá leva-lo ao burnout. Então, é preciso que os gestores enxerguem além dos números, que vejam as pessoas por detrás dos resultados”, explica.

Práticas que ajudam a acolher o colaborador

Questionada sobre que medidas de suporte os gestores podem oferecer aos colaboradores em crise, Heloísa destaca que o primeiro passo é alinhar com o RH quais serão as práticas a serem adotadas. Dessa forma, as decisões podem ser tomadas em conjunto, com respaldo técnico e legal, abrangendo a todos. O segundo passo é colocar o profissional no centro da decisão.

“O que ele precisa para se recuperar? Quais são os combinados e como eles devem ser cumpridos? Quais são os prazos desses processos? Tudo isso precisa estar às claras, com o melhor acolhimento possível para a situação, mas sem nunca perder de vista que se está no ambiente profissional”, diz.

Heloísa conclui afirmando que ainda há gestores que interpretam mal a ideia de humanização na gestão, por considerar que ela coloca a irmandade e a amizade no lugar do relacionamento profissional. No entanto, essa visão é equivocada. Segundo Heloísa, aqueles que investem na humanização da gestão estão lançando as bases para uma equipe mais produtiva e engajada. 

“A pergunta, então, é: diante da crise, o que você, gestor, pode fazer para que seu profissional restabeleça suas capacidades? Como sua empresa pode colaborar para que encontre as condições necessárias ao desenvolvimento do seu potencial? As respostas, provavelmente, serão diferentes em cada caso. Mas aqueles que forem capazes de entregar esse cenário ao funcionário adoecido, certamente estarão construindo profissionais e times muito mais sólidos e engajados”, conclui.

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