Gestão

VAR da Saúde Mental: o que pode e o que não pode dentro das empresas

Psiquiatra sinaliza erros e acertos que determinam a vitória na disputa por um ambiente de trabalho mentalmente saudável

Quando a Copa do Mundo acabou, além dos resultados dos
jogos, um assunto que repercutiu entre o público, e até mesmo garantindo
entretenimento nas redes sociais, foi o VAR. Embora seja uma ferramenta utilizada em todos os jogos de níveis nacionais e internacionais, ela foi um dos destaques no ano de 2022.

Esta ferramenta ajuda o árbitro central a tomar decisão em lances dos jogos considerados duvidosos, esclarecendo o que é e o que não é válido durante o jogo. E essa análise é feita por outros juízes, especialistas que dão suporte para aquele que está em campo.

Dentro das empresas não existe um VAR da Saúde Mental e não são raras as decisões questionáveis em relação ao bem-estar emocional dos colaboradores.

“Nunca se falou tanto neste assunto no ambiente corporativo como nos últimos dois anos. Com isso, o tema ganha espaço para um olhar atento e nos possibilita desmistificá-lo. No entanto, assim como o VAR apoia as partidas de futebol, as empresas precisam contar com um apoio profissional especializado para promover um ambiente mentalmente saudável”, comenta Dra. Camila Magalhães, psiquiatra e cofundadora da Caliandra Saúde Mental, empresa especializada em soluções de cuidados à saúde mental e treinamento de liderança.

Segundo a especialista, ações focadas no bem-estar emocional nas empresas se mostram tão relevantes quanto o VAR no futebol. Considerando essa analogia, a psiquiatra elenca pontos importantes que as instituições podem adotar para garantir um placar vitorioso na disputa por um ambiente de trabalho mentalmente saudável.

  1. Mapear: investir no mapeamento da saúde mental da equipe significa prevenção e cuidado ao detectar precocemente estresse, depressão, ansiedade e sintomas de burnout entre os colaboradores.
  2. Conscientizar: ações de conscientização são essenciais para quebrar o tabu de que saúde mental não é assunto para o ambiente corporativo e outros mitos que circundam o tema.
  3. Treinamento de lideranças: treinar um líder é importante para promover uma gestão humanizada e o engajamento da equipe em relação ao tema, para construir e manter um ambiente mentalmente saudável. Além disso, o desenvolvimento de habilidades para lidar com situações relacionadas à saúde mental que possam ocorrer dentro do ambiente de trabalho se torna muito valioso, visando as
    melhores práticas para apoiar as equipes dentro deste contexto.
  4. Criar ações positivas: para que o tema se torne amplo e comum, é preciso ganhar a confiança das pessoas. Portanto, é interessante adotar ações coletivas, como a promoção de rodas de conversas com especialistas, proporcionar um canal aberto para sanar dúvidas, sugestões/feedbacks. Isso certamente contribui para desmistificar as questões de saúde mental na empresa.
  5. Garantir o acesso da equipe a esses projetos: inserir os colaboradores nas ações de saúde mental e fazê-los perceber que as iniciativas não são como benefício a mais, como um vale presente, mas, sim, uma ação necessária para o bem-estar de todos. Afinal de contas, a responsabilidade deve ser compartilhada entre todos.

    De acordo com a Dra. Camila, essas são ações aprovadas pelo VAR da saúde mental, mas algumas outras impedem que as empresas façam um gol. Veja quais são:

    “A dor do outro não me afeta”. A falta de empatia é um grave problema. Se não houver vontade de ajudar aquele companheiro de trabalho ou funcionário que está passando por um sofrimento mental, isso se torna mais uma barreira
    para procurar ajuda profissional.

    Criar um ambiente hostil. Ninguém é feliz em um local onde as pessoas desrespeitam, fazem piadas sobre condições de saúde do outro ou tratam com grosseria, não é mesmo? A regra vale para o trabalho também! Em um ambiente hostil, o funcionário ou até mesmo o chefe podem se sentir mal, o que gera baixa autoestima, afeta o desempenho e, consequentemente, a saúde mental.

    Estigmatizar as questões de saúde mental. Como dito anteriormente, a saúde mental deve ser uma prioridade no ambiente de trabalho. Portanto, deve ser acessível a todos, independentemente do nível hierárquico que ocupa na empresa.

    Tornar o mapeamento uma ação de caça. O mapeamento deve ser feito de forma natural, não como um “caça às bruxas” ou “caça problema”. Sempre com a aceitação de todos da equipe e com o propósito de prevenir e cuidar.

    Por fim, a Dra. Camila enfatiza que todos os cuidados devem ser constantes e não aplicados apenas pontualmente. “Não existe uma fórmula mágica de saúde mental. Esse é um assunto que precisa de cuidado contínuo e responsabilidade. Além disso, a construção de um ambiente mentalmente saudável precisa ser feita aos poucos, com paciência. É possível transformar por meio de boas práticas embasadas cientificamente”, ressalta a especialista.

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