O debate sobre inteligência artificial no mercado de trabalho costuma começar com a mesma pergunta: quais profissões desaparecerão e quais surgirão nos próximos anos?
Embora legítima, talvez essa não seja a pergunta mais importante. Antes mesmo de substituir funções inteiras, a IA já está transformando o que se espera dos profissionais. Atividades são automatizadas, novas ferramentas passam a fazer parte da rotina e competências que antes eram diferenciais rapidamente se tornam requisitos básicos. Para as empresas, isso reforça uma responsabilidade que vai além da adaptação tecnológica: preparar as pessoas, por meio da aprendizagem contínua, para acompanhar as mudanças e desenvolver habilidades alinhadas às necessidades do negócio.
Competências mudam antes dos cargos
O Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, estima que 40% das competências atuais dos trabalhadores serão transformadas ou se tornarão obsoletas até 2030. A projeção considera diferentes mudanças tecnológicas, econômicas e demográficas. Especificamente no campo da inteligência artificial, o Global AI Jobs Barometer 2026, da PwC, aponta que as competências exigidas nas ocupações mais expostas a essa tecnologia mudam em um ritmo mais de duas vezes superior ao observado nas menos expostas.
Esses números ajudam a dimensionar uma mudança que pode ocorrer sem que o nome do cargo seja alterado. Um profissional continua responsável pela mesma área, mas passa a trabalhar com novas informações, ferramentas e exigências. Nesse cenário, a atualização de competências é essencial para acompanhar as transformações do mundo do trabalho.
Por isso, a formação não pode se limitar a treinamentos pontuais. As empresas precisam oferecer oportunidades contínuas de aprendizagem que combinem o desenvolvimento de competências técnicas e comportamentais e favoreçam a aplicação prática do conhecimento. Dessa forma, a capacitação contribui não apenas para a adaptação dos profissionais, mas também para os resultados do negócio.
A dimensão desse desafio também aparece no estudo do Fórum Econômico Mundial. Se a força de trabalho global fosse representada por cem pessoas, 59 precisariam de capacitação até 2030. Dessas, onze provavelmente não receberiam o preparo necessário. O dado chama a atenção para as condições de acesso: reconhecer que os profissionais precisam aprender não garante que tenham a oportunidade de fazê-lo.
Tecnologia a favor da formação
Oferecer conteúdos de qualidade, em diferentes formatos, é uma base importante para ampliar essas oportunidades. Nesse contexto, as plataformas de aprendizagem e o setor de edtechs desempenham um papel relevante ao reunir conteúdos de fontes confiáveis, fornecedores qualificados e metodologias pedagógicas que favorecem a construção do conhecimento. No entanto, o acesso, por si só, não garante o desenvolvimento. É preciso conectar a capacitação às necessidades das equipes, oferecendo orientação, tempo e oportunidades para aplicar o que foi aprendido.
A própria inteligência artificial pode contribuir para tornar essa experiência mais personalizada e eficiente. Integrada às plataformas educacionais, a tecnologia pode ajudar a identificar necessidades de desenvolvimento e organizar trilhas de aprendizagem de acordo com as funções, os conhecimentos e os objetivos profissionais. Aliada à curadoria de conteúdos e a critérios pedagógicos, essa personalização permite direcionar a formação para competências relevantes, sem abrir mão da qualidade e da confiabilidade das informações oferecidas.
O papel das lideranças
Incorporar a aprendizagem à rotina exige, portanto, decisões de gestão por parte das lideranças. É necessário identificar em quais áreas as equipes precisam de apoio, disponibilizar ferramentas e acompanhar a aplicação dos conhecimentos. Com o suporte de plataformas de aprendizagem, gestores e empresas também podem acompanhar a evolução dos profissionais, identificar lacunas de competências e ajustar as trilhas de formação de acordo com as prioridades estratégicas e os objetivos do negócio. Nesse cenário, mais do que monitorar a participação em cursos, é preciso avaliar se o que foi aprendido é aplicado na prática e contribui para o desempenho das equipes.
Essa preocupação também aparece no Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial: 63% dos empregadores apontam a falta de competências como uma barreira à transformação dos negócios. O dado reforça que investir em novas tecnologias não é suficiente se os profissionais não estiverem preparados para utilizá-las.
Aprendizagem como estratégia
O desafio, portanto, é transformar a aprendizagem em parte da estratégia das empresas. Nesse processo, as edtechs apoiadas por inteligência artificial podem ampliar o acesso à capacitação, personalizar conteúdos e facilitar o acompanhamento do desenvolvimento profissional. Mas a tecnologia só gera valor quando é combinada com conteúdos confiáveis, orientação e oportunidades de aplicação prática. Afinal, preparar os profissionais para o futuro significa oferecer as condições necessárias para que continuem aprendendo e evoluindo no presente.
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