Toda empresa gosta de dizer que cuida das suas pessoas, mas poucas param para ver se esse cuidado realmente chega a quem deveria. Não é raro o programa de saúde mais completo do mundo terminar preso em um PDF perdido na intranet ou na caixa de mensagens, engolido não só pela enxurrada de notificações, mas pela própria rotina. O que vemos é um paradoxo silencioso na relação com o colaborador: dá para oferecer apoio emocional, prevenção e qualidade de vida e, ainda assim, ele não fazer a menor ideia de que tudo aquilo existe. É aí que felicidade corporativa e comunicação interna se cruzam – afinal, o cuidado só vira cuidado quando alguém o traduz e faz caber no dia a dia das pessoas. Sem isso, ele não sai do papel.
Essa virada aparece nos cases premiados da categoria Felicidade Corporativa do Prêmio Empresas que Melhor se Comunicam com Colaboradores (PEMCC), que chegou este ano à sua quarta edição. Apsen, Hcor, CCEE, Kimberly-Clark e Pfizer mostraram, por caminhos bem diferentes, que bem-estar não se resume a um cardápio de benefícios, por maior que ele seja. A felicidade precisa circular e fazer sentido para quem trabalha. Em alguns projetos, o eixo é saúde, prevenção e cuidado integral, com o desafio de não deixar o assunto morrer depois da primeira campanha. Em outros, a felicidade chega pela leveza, pelo encontro e pela memória afetiva, como um lembrete de que pertencimento nasce daquilo que se constrói no dia a dia.
No fim, a descoberta é menos sobre “fazer pessoas felizes” e mais sobre tornar o cuidado reconhecível por elas. E mais: sem comunicação interna, a felicidade até pode existir. Mas dificilmente será vivida como experiência.
Apsen – memória afetiva
Comecemos pela vencedora. Enquanto boa parte das empresas associa felicidade corporativa a programas de saúde e benefícios estruturados, a Apsen tratou a comunicação interna como porta de entrada para o tema – e escolheu começar pelo susto. Mais precisamente, por um Halloween. Sob o conceito “Uma viagem aterrorizante” a farmacêutica transformou uma simples data do calendário em uma ação para mais de dois mil colaboradores e aproveitou o clima de terror para lançar o Meclin Move, remédio contra o enjoo de viagem. A ideia tinha graça porque fazia sentido: se viajar também pode despertar medo, mal-estar e insegurança, por que não transformar esse desconforto em narrativa?
A sacada foi tratar o lançamento como uma experiência interna, indo além do anúncio. Antes de falar ao mercado, a Apsen falou com quem vive a marca por dentro. E fez isso sem apostar em uma única festa para todos. A campanha, desenvolvida com a Frô Eventos, foi desenhada para alcançar públicos com rotinas muito diferentes – Matriz, Fábrica, Centro de Distribuição e Força de Vendas –, com horários, canais e ativações próprios.
Mas se engana quem pensa que a iniciativa ficou restrita a abóboras e personagens de terror. Por trás da brincadeira, havia um cuidado claro: fazer com que o vendedor, o time administrativo, quem está na linha de produção e o público operacional também se reconhecessem naquela história. Para Bruna Prandina, gestora de Comunicação Interna e Endomarketing da Apsen, é dessa integração que nasce a felicidade corporativa. “Nosso Halloween foi uma oportunidade de transformar uma data comum em um momento de integração entre as pessoas e descontração no ambiente de trabalho”, crava

da Apsen
Um susto sob medida para cada público
Esse cuidado com a experiência explica boa parte da força do case. A ação não dependia só de uma mensagem central, mas de uma sequência de convites à participação. Ambientações temáticas, realidade virtual, personagens, flash mob e concursos internos – como Decoração de Área, Concurso Assombrado, Touca Maluca e Cabelo Maluco – deram materialidade à campanha e abriram espaço para que cada grupo entrasse no jogo à sua maneira. “Tudo isso fez com que os colaboradores deixassem de ser apenas espectadores e se tornassem protagonistas da ação”, observa. Desse modo, o Halloween não servia apenas como fantasia, mas como uma forma de aproximar o produto de quem também faz parte da sua história dentro da empresa.
Bruna destaca que um dos maiores desafios foi garantir que a experiência fizesse sentido para realidades internas tão distintas. A régua, segundo ela, era fazer com que “cada colaborador sentisse que aquela experiência havia sido pensada especialmente para ele”. De olho nisso, a comunicação interna buscou uma linguagem inclusiva e acolhedora, capaz de conversar com públicos diversos sem diluir a essência da campanha. A graça estava justamente em ajustar o susto, o jogo e a celebração ao cotidiano de cada grupo.
Da brincadeira ao pertencimento
É nesse ponto que o case se aproxima da tese da matéria. Ao vencer a categoria, a Apsen mostrou que a felicidade corporativa também pode nascer de experiências leves, desde que elas sejam sustentadas por um bom trabalho de comunicação interna e façam sentido dentro da cultura da empresa. Em uma indústria de ritmo intenso, uma pausa coletiva está longe de ser mero detalhe: pode criar vínculo, aliviar a pressão da rotina e aproximar as pessoas do negócio sem transformar tudo em cobrança. “A campanha integrou entretenimento, cultura organizacional e estratégia de negócio em uma única narrativa”, resume Bruna.
Para a porta-voz, momentos de leveza também são uma forma de cuidar das pessoas e fortalecer vínculos internos. E foi justamente isso que o Halloween deixou como resultado: algo maior do que uma campanha temática. “Nós criamos uma memória coletiva”, afirma. Talvez esteja aí a melhor definição do case. A felicidade corporativa, neste caso, não apareceu como promessa de bem-estar permanente nem como cartilha de comportamento. Veio pelo afeto, pelo riso e pela lembrança compartilhada – um tipo de cuidado que permanece. “Quando a comunicação conecta cultura, entretenimento e estratégia de negócio em uma narrativa única, ela cria momentos memoráveis que permanecem na lembrança dos colaboradores”, finaliza.
Hcor – cada passo conta
Um passo, depois outro. Foi assim que o Hcor decidiu enfrentar um tema que muita gente só leva a sério quando o corpo dá um alerta: a saúde cardiovascular. Referência em cardiologia, o hospital aproveitou o Setembro Vermelho e o Dia Mundial do Coração para criar o Cada Passo Conta, desafio de 30 dias voltado à prática de atividade física. Segundo Flavia Amati, gerente de Comunicação Corporativa da empresa, a proposta era aproximar a prevenção da rotina “de forma simples, prática e inspiradora”. Nesse movimento, a comunicação interna mostrou que atitudes possíveis também podem transformar a vida das pessoas e ajudar a construir felicidade corporativa no dia a dia.
A campanha evitou metas que intimidassem antes mesmo do primeiro passo. Caminhar, trocar o elevador pela escada, rever hábitos e incentivar um colega apareceram como escolhas alcançáveis, não como cobrança. Para Flavia, a comunicação interna funcionou como “ponte entre conhecimento, ação e pertencimento”, fazendo com que o Setembro Vermelho se tornasse algo que os colaboradores “pudessem viver, e não apenas acompanhar”. O desafio gamificado na plataforma GymRats deu forma a essa proposta, permitindo que cada participante registrasse suas atividades ao longo do mês. “Mais do que levar informação, a campanha inspirou uma experiência coletiva”, complementa.

do HCor
Autoridade e proximidade
O conteúdo também precisava equilibrar autoridade e proximidade. A cardiologista Cristina Milagre e o fisioterapeuta Lucas Sampaio deram respaldo técnico à campanha, enquanto embaixadores internos espalharam dicas e estímulos pelos canais da empresa. Como explica Flavia, falar de saúde e mudança de hábito pode afastar quando a mensagem “parece exigente demais”; por isso, o Hcor apostou em uma abordagem inclusiva, leve e possível.
Desenvolvida com o Grupo Trama Reputale, a ação também levou a conversa a pacientes e à comunidade, mas produziu um gesto especialmente simbólico para dentro: um hospital conhecido por cuidar de corações voltando o olhar para os próprios times. Como resume a executiva, a instituição “reconhece a importância de cuidar de quem faz o Hcor acontecer todos os dias”.
A cada passo, um compromisso
Mais do que registrar quilômetros, a campanha entregou às pessoas o papel de manter a causa em movimento. Cada check-in, cada story, cada repost, cada colega incentivado empurrava o desafio adiante e mostrava que o cuidado cardiovascular “não era apenas uma mensagem institucional, mas um compromisso compartilhado”, segundo Flavia. Mais de 350 colaboradores participaram e somaram mais de 4.800 check-ins de atividade física, enquanto o perfil interno @meuhcor passou a reunir conteúdos espontâneos de quem incorporava a proposta à própria rotina.
O ponto alto veio num domingo. A caminhada do Dia Mundial do Coração levou colaboradores e familiares à Avenida Paulista para percorrer o mesmo trajeto – gente cuidando de si enquanto puxava o outro para perto. Para Flavia, cenas assim mostram que, “quando a comunicação interna conecta uma causa relevante à experiência das pessoas, ela tem força para gerar movimento real”. Ali, a felicidade corporativa ganhou corpo porque a comunicação interna saiu dos canais e chegou ao comportamento, indo além de cartilhas e panfletos. “Essa estratégia fortaleceu o engajamento porque deu protagonismo às pessoas”, reforça.
Quando a causa permanece
O principal legado foi a continuidade. O Setembro Vermelho ganhou lugar fixo no calendário institucional do Hcor e deixou de depender de uma única edição para ser lembrado. Para Flavia, o reconhecimento do case confirma que “a felicidade corporativa também se constrói quando os colaboradores se sentem parte de algo maior, com espaço para participar, cuidar e serem cuidados”. No fim, o Cada Passo Conta mostra que a felicidade no trabalho não se resume ao que a empresa oferece, mas ao que consegue mobilizar. E, quando uma causa de saúde encontra linguagem e constância, é a comunicação interna que marca o passo.
CCEE – quando cuidar da saúde vira jogo coletivo
Em uma empresa com cerca de 500 pessoas, inserida em um setor de alta complexidade como o de energia, falar de saúde já não basta. Foi o que levou a comunicação interna da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) a tirar o bem-estar do papel e transformá-lo em felicidade corporativa concreta. E não apenas por meio de palavras, mas de jogo. Dentro do guarda-chuva CuidaCCEE, nasceu o Vida Ativa, campanha que aposta na gamificação para levar o autocuidado à prática.
Segundo Claudia Muller, gerente de Comunicação Interna, Eventos e Endomarketing da CCEE, era preciso transformar o tema em uma experiência presente no dia a dia das pessoas, com uma linguagem positiva e capaz de mostrar que pequenas mudanças de hábito também contam. “A comunicação interna teve justamente esse papel de traduzir o propósito do CuidaCCEE em ações acessíveis, leves e próximas da realidade dos colaboradores”, sintetiza.

da CCEE
Ritmo e presença
A mecânica, sem dúvida, é a alma do case. Criado em 2021, o Vida Ativa organiza os colaboradores em equipes de três a cinco pessoas que registram, no aplicativo RadarFit, suas atividades em quatro pilares – nutrição, atividade física, hidratação e bem-estar emocional. Check-ins diários, desafios semanais e rankings dão o ritmo, com forte presença nos canais internos: intranet, Teams, WhatsApp, newsletters, vídeos e lives.
E o formato foi amadurecendo: em 2024 vieram as edições pocket, individuais e mais curtas; em 2025, avaliações antropométricas no check-in e no check-out passaram a medir os resultados com mais precisão. Desde o pré-lançamento, com teasers e depoimentos de quem já havia mudado de hábito, a campanha apostou em despertar curiosidade antes de cobrar adesão. “Quando as pessoas passam a enxergar o bem-estar como algo coletivo e apoiado pela organização, elas se sentem mais motivadas a participar e a cuidar de si e dos colegas. Esse é um dos caminhos para construir felicidade corporativa de forma genuína”, complementa Claudia.
Um desafio que não é sobre desempenho
De acordo com a executiva, o segredo não foi apostar em um único formato, mas combinar vários em torno do mesmo propósito, dando aos próprios colaboradores o papel de manter o desafio vivo. “A gamificação trouxe leveza e diversão, mas o que realmente sustentou o engajamento foi o senso de comunidade dentro das equipes”, resume. Não por acaso, mais do que a competição em si, o Vida Ativa se apoia em consistência, com uma comunicação planejada para durar o ano inteiro e alternar entre informação, inspiração e reconhecimento. Afinal, o entusiasmo inicial, sozinho, não daria conta de sustentar uma mudança real de hábitos.
Foi nesse ritmo que o time de comunicação interna passou a valorizar os depoimentos dos próprios colaboradores, estimular a interação entre as equipes e celebrar as conquistas ao longo do caminho. A proposta era criar uma experiência coletiva em que o bem-estar ganhasse espaço na rotina e reforçasse a cultura de cuidado da CCEE. Por isso, o foco nunca esteve no desempenho esportivo, mas no incentivo a escolhas mais saudáveis, respeitando o ritmo de cada pessoa. “Quando as pessoas passam a enxergar o bem-estar como algo coletivo e apoiado pela organização, elas se sentem mais motivadas a participar e a cuidar de si e dos colegas. Esse é um dos caminhos para construir felicidade corporativa de forma genuína”, ressalta Claudia, ao sublinha o papel da comunicação interna nessa jornada.

Cuidado que não para no aplicativo
Do mesmo modo, o desafio também não “corre” sozinho. Ele se conecta ao Espaço Saúde, núcleo de cuidado integral da CCEE que reúne médico da família, nutricionista, psicóloga, personal trainer, massagista e mapeamento anual, além de parcerias como Gympass, TotalPass e RunFun. Só em 2024, o espaço somou mais de 5.500 atendimentos. Os resultados clínicos ajudam a dimensionar o impacto: redução de 31% nos riscos cardiovasculares, melhora de 25% no quadro emocional de quem fez psicoterapia, 208 quilos perdidos e 68% dos colaboradores relatando hábitos mais saudáveis.
A participação acompanhou esse amadurecimento – ou, como define Claudia, mostra por que “uma comunicação interna estratégica vai muito além de informar. Ela mobiliza comportamentos. Com isso, a adesão cresceu de 201 participantes, distribuídos em 46 equipes, em 2024, para 240 colaboradores em 55 times, em 2025 – o maior engajamento desde a estreia. Só a última edição reuniu mais de 2.200 atividades físicas e 10 mil refeições saudáveis registradas, enquanto uma única live chegou a concentrar 251 pessoas, o equivalente a 62% do quadro. Até o encerramento entrou no clima de celebração, com kits personalizados no check-in presencial e um treino final com premiação no Parque da USP.
Mas há algo que os números não capturam: o rosto de quem mudou a própria rotina. Uma colaboradora, conta Claudia, encontrou no Vida Ativa um ponto de virada, tornou-se praticante assídua de crossfit e, hoje, é referência no programa. Para a porta-voz, histórias assim revelam o verdadeiro alcance de uma comunicação interna bem-feita, capaz de transformar o bem-estar em experiência coletiva. Não à toa, na pesquisa de clima de 2025, a percepção de que a empresa oferece benefícios diferenciados alcançou 89 pontos de favorabilidade. No fim, o Vida Ativa mostra uma felicidade corporativa praticada no dia a dia, com a comunicação interna como aliada.
Kimberly-Clark – o cuidado que sai da cartilha
Se a felicidade passou pela experiência compartilhada, na Kimberly-Clark a comunicação interna partiu de um diagnóstico mais incômodo para aparar as arestas. Uma pesquisa interna revelou que parte dos colaboradores não conhecia os próprios benefícios e 75% deles queriam se movimentar mais. Segundo Carolina Gancho, head de Comunicação Corporativa da empresa, o problema estava menos na oferta e mais na embalagem: os recursos existiam, mas não encontravam as pessoas na hora certa. “A partir daí, entendemos que o desafio não estava na oferta de benefícios, mas na forma como essas informações eram apresentadas, organizadas e conectadas ao dia a dia”, resume
Foi desse incômodo que nasceu o Movimento Faz Bem – e, por consequência, a decisão de, antes de ampliar a oferta, organizar o acesso. Não à toa, a primeira frente trabalhada foi a linguagem. O time de comunicação criou, então, uma identidade visual própria e trocou os materiais densos por uma Cartilha de Benefícios unificada, pensada como guia visual e direto. De acordo com a executiva, comunicar em muitos canais não bastava: era preciso construir, junto ao RH, um “movimento vivo”, presente na rotina e encaixado nos momentos que já faziam parte da experiência dos colaboradores.

da Kimberly-Clark
Na prática, isso significou conectar o tema ao calendário organizacional, às reuniões de resultados e aos fóruns de liderança, democratizando a informação, em vez de despejá-la. “Esse trabalho multicanal e integrado ajudou a democratizar a informação, tornar a jornada de saúde mais acessível e fortalecer o engajamento da liderança como parte essencial do movimento”, resume Carolina.
Um verbo, uma ferramenta
O passo seguinte foi dar forma ao bem-estar. Em vez de apresentar uma lista de vantagens, a Kimberly-Clark organizou a proposta em quatro verbos de ação – Se Cuidar, para o físico; Sentir, para o emocional; Pertencer, para o social; e Planejar, para o financeiro –, cada um ligado a um recurso concreto por trás.
Como explica Carolina, o cuidado pode assumir formas diferentes, conforme o momento de cada pessoa: um desafio gamificado de passos no Wellhub, o apoio psicológico confidencial do EAP Telus e do ClicSaúde, o planejamento financeiro do K-C Prev ou uma ação de voluntariado com os ChangeMakers. À comunicação, diz ela, coube aproximar essas possibilidades e incentivar o autocuidado “de maneira clara e acolhedora”, ajudando cada colaborador a identificar o que fazia mais sentido para sua vida e sua rotina de trabalho. “Essa abordagem ajudou a apresentar o bem-estar de forma mais simples, prática e acessível”, aponta.
Liderança que dá o exemplo
Mas nenhuma cartilha se sustenta sozinha, e a Kimberly-Clark sabia disso. Para que o movimento fosse crível, conta Carolina, a comunicação precisava estar “conectada à prática” e não soar como mais uma campanha passageira.
Por isso, a liderança entrou literalmente com o corpo. Diretores e o vice-presidente passaram a organizar corridas, partidas de pickleball e sessões de Velocity depois das reuniões, sempre com os times convidados. “A comunicação fazia parte de uma construção contínua, com envolvimento da liderança e conexão com a rotina da companhia”, destaca. Levar o bem-estar para espaços oficiais, como reuniões de resultados e convenções de vendas, foi a forma de mostrar que o tema não estava à margem. Como pontua Carolina, o cuidado com as pessoas passou a ser tratado como parte da cultura e da própria busca por “performance sustentável”.
Quando o cuidado vira hábito
A adesão apareceu nos números. A nova comunicação alcançou 100% dos públicos – administrativo, operacional e comercial –, somou mais de duas mil participações e elevou em 13% os check-ins em academias, além de cerca de R$ 427 mil em custos evitados até dezembro de 2025. Para Carolina, porém, o dado mais revelador está na saúde emocional: a busca por psicoterapia foi 28% superior à procura por pronto atendimento – sinal, diz ela, de uma cultura em que as pessoas se sentem confortáveis para buscar apoio “antes que situações se tornem emergenciais”.
Para uma agenda de felicidade corporativa, talvez seja esse o melhor termômetro da força da comunicação interna: quando a informação deixa de apenas circular e começa a antecipar o cuidado. “Esses resultados revelam que a comunicação interna estratégica é capaz de gerar mudança de comportamento e impacto direto no negócio”, crava.
No fim, o Movimento Faz Bem transformou uma cartilha de bem-estar em convite. E o reconhecimento, faz questão de cravar Carolina, é de cada colaborador – daqueles que “aceitaram o convite, pegaram as ferramentas que oferecemos e assumiram o verdadeiro protagonismo das suas vidas”. Prova, para ela, de que “a felicidade corporativa, o bem-estar e a alta performance caminham juntos” – e de que, na empresa, o sucesso do negócio e o cuidado com as pessoas deixaram de caminhar em trilhas separadas.
Pfizer – cuidado o ano inteiro
A felicidade pode aparecer em um jogo, em uma experiência lúdica ou em uma agenda de cuidado. Mas, para fazer parte da rotina, precisa de continuidade. Foi essa ideia que levou a Pfizer Brasil a organizar o bem-estar como um ecossistema. O ponto de partida foi uma pesquisa interna de engajamento, realizada no início de 2025, que ajudou a identificar onde o cuidado ainda precisava chegar. Dali veio uma inquietação conhecida de quem trabalha com comunicação interna: bem-estar que só aparece em datas comemorativas não cria cultura – cria calendário. Por isso, o programa “Transformar vidas começa em casa” nasceu com uma proposta 360°, reunindo comunicação, educação, benefícios, prevenção e experiências numa mesma lógica de cuidado.
Segundo Mariana Caprara, gerente de Comunicação Externa e Interna da Pfizer Brasil, a meta era transformar o bem-estar “em uma experiência presente no dia a dia dos colaboradores, e não apenas em um conjunto de programas ou benefícios disponíveis”. A integração, portanto, é o que dá força ao case. O ecossistema foi estruturado em quatro pilares – educação e comunicação contínua, ferramentas de saúde, experiências de engajamento e prevenção – e conectou conteúdos distribuídos por vários canais, da intranet à newsletter, passando pela TV Corporativa e pela revista digital, a recursos concretos de bem-estar, como Spring Health, Wellhub e Thrive Global.

da Pfizer Brasil
Como explica Mariana, a proposta parte do princípio de que “o cuidado é uma responsabilidade compartilhada entre empresa e colaboradores”. Ou seja, a ideia não era apenas apresentar recursos, mas mantê-los visíveis e acessíveis no momento certo – do apoio emocional à educação financeira, do sono à nutrição. “Mais do que divulgar ações, a comunicação contribuiu para criar uma cultura em que o bem-estar faz parte das conversas, das prioridades e da experiência cotidiana dos colaboradores”, reforça.
Um calendário que não deixa o tema esfriar
Sem dúvida, a grande aposta foi contra o efeito “campanha de um dia”. De acordo com a executiva, a estratégia evitou tratar bem-estar como ação pontual, distribuindo iniciativas o ano inteiro: vacinação no primeiro semestre, a Wellness Week com testagem, pilates e cinema, o Desafio Wellhub e o Setembro Amarelo no segundo semestre, e uma reta final dedicada ao uso consciente dos benefícios. Cada estação tinha seu gancho, e cada gancho reforçava o anterior, de modo que o assunto nunca sumia da rotina. O objetivo, resume Mariana, era criar “uma cultura em que o bem-estar faz parte das conversas, das prioridades e da experiência cotidiana dos colaboradores”.
Com isso, a comunicação interna conseguiu alcançar públicos diversos e manter a felicidade corporativa próxima da rotina. A variedade de formatos e canais ajudou a mostrar que os benefícios estavam ao alcance de todos, respeitando as diferentes realidades pessoais e profissionais.
Números que viraram comportamento
E os dados vieram no mesmo compasso. No Viva Engage, os conteúdos do programa passaram de 19,7 mil visualizações, sinal de consumo espontâneo e recorrente. As campanhas de vacinação e testagem, por sua vez, alcançaram colaboradores e dependentes, enquanto o Desafio Wellhub registrou participação contínua, com acúmulo expressivo de pontos ao longo das semanas. A combinação de lives com a Wellness Week deu ao programa um caráter híbrido, misturando o digital e o presencial.
Mas o retorno mais valioso, para Mariana, é o que não cabe em qualquer gráfico: uma cultura de autocuidado mais forte, relatos de hábitos saudáveis e uma percepção ampliada de cuidado, pertencimento e segurança psicológica. É aí que a felicidade corporativa se revela menos como soma de benefícios avulsos e mais como fruto de uma comunicação interna que mantém o cuidado aceso o ano inteiro. Ou, como define a própria gerente, o momento em que a comunicação “passa de apenas informativa para se tornar uma ferramenta de mobilização, conscientização e promoção da saúde”. Para a Pfizer, esse reconhecimento no PEMCC mostra que cuidar de gente também é estratégia.
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O Prêmio Empresas que Melhor se Comunicam com Colaboradores (PEMCC) reconhece as marcas que estão transformando a comunicação interna em vantagem competitiva. Com 20 categorias, de Influenciadores Internos a Memória Organizacional, a premiação convida as principais marcas do país a dar visibilidade a projetos que fortalecem cultura, engajamento e alinhamento com os colaboradores dentro das organizações. Ao participar, seu case ganha espaço no Banco de Cases gratuito, visibilidade nas plataformas Melhor RH e Negócios da Comunicação, além de integrar um ecossistema que amplia a circulação de boas práticas em comunicação interna.


