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Lugar de mulher é no campo?

Fórum comenta cases de inclusão e dados que mostram a presença feminina em empresas do agronegócio como uma realidade crescente

de Redação em 5 de maio de 2023
Yuri Arcus People Images/ via Freepik.com

Durante o recente Fórum Melhor RH Agro, realizado na última terça-feira pela Plataforma Melhor RH, o  painel Lugar de mulher é no campo? trouxe cases de inclusão e dados que mostram a presença feminina em empresas do agro como uma realidade crescente. 

Ana Apolaro, VP RH LATAM da ADM do Brasil; Cristine Castro, Diretora de RH Brasil – Business Brasil da Syngenta Proteção de Cultivos; e Tatiane Petry, Gerente Executiva de Agronegócios C.O. da BRF, trouxeram para o evento dados oficiais do setor, suas experiências pessoais e resultados de projetos implementados em suas empresas no sentido de empoderar carreiras femininas. 

Censo delas

Cristine expôs o censo agropecuário do IBGE, de 2017 (estatística mais atualizada do setor, no momento), que registra 30 milhões de hectares e 19% dos estabelecimentos do agronegócio comandados por mulheres no Brasil. Essas líderes ou empresárias têm entre 45 e 54 anos – 60% delas possuem curso superior, mais de 30% com ensino médio completo.

“Isso mostra uma realidade importante e positiva quando comparada a de outros setores”, constatou a executiva, lembrando que os dados apresentados provavelmente já foram superados, mostrando a ampliação da presença feminina no campo.

Questão de compromisso

Ana, por sua vez, concluiu que esses avanços só acontecem em virtude de compromissos assumidos pelas empresas. Em sua companhia, o divisor de águas foi estabelecer a meta de paridade de gêneros. “Nós fizemos uma ação afirmativa e desde então nós trabalhamos com comunicação e processos muito claros para atingi-las com bastante sustentabilidade”, contou a executiva. “Não trabalhamos com sistemas de cotas, mas com meritocracia.”

Ela lembra, também, que as mulheres se empoderam a partir da união, das discussões coletivas entre elas sobre os rumos da liderança e da presença feminina na organização.

Autoconhecimento e engajamento

“Para ter um compromisso sólido e consistente, a gente deve partir da autoliderança”, afirma Tatiane. Na BRF, essa postura deu origem a diversos programas – dentre eles “Lidere como uma mulher”, voltado, entre outras ações, para a potencialização das competências e do autoconhecimento femininos, além de estimular o protagonismo de carreira. “O que passa, antes de tudo, pela nossa autoaceitação”, ele lembra, sobre o hábito da autosabotagem nesse sentido que acomete mulheres.

A empresa obteve resultados: da meta de alcançar 30% de mulheres em seu quadro de liderança até 2025, a BRF já atingiu 25%.

Cristine também mencionou resultados de ações como o programa “Voando Alto”, na Syngenta, para desenvolvimento de competências e aceleração de carreira entre suas colaboradoras. Com o movimento, 15% das mulheres envolvidas conseguiram promoção. Cerca 70% das participantes melhoraram a performance e o engajamento junto à ação chegou a 90% do público participante.

Impacto positivo

O painel “Os frutos da inclusão – O impacto positivo da diversidade no agrobusiness” mostrou os benefícios da diversidade de maneira geral e o estágio de algumas empresas do setor com relação ao tema, com a participação de Cláudia Duarte Vergara, Gerente de Desenvolvimento de Pessoas e Comunicação Interna da Irani; Cássia Monteiro, Gerente de Comunicação Interna da Kavak, e Simone H. Beier, Diretora de RH da Cargill.

Na visão das executivas, apesar do agronegócio ser um dos principais propulsores da economia nacional, o setor ainda dá passos tímidos quando o assunto é diversidade e inclusão. Os especialistas desse painel levantam temas sobre vagas afirmativas, estratégias efetivas para formalizar compromissos e a importância do alinhamento da liderança.

Cláudia conta o case do Rio Grande do Sul. “Nós temos um compromisso público de até 2030 ter 50% de mulheres na liderança e 40% no quadro. E quando nós começamos isso, tínhamos no geral da empresa 14% de mulheres. Hoje já estamos com 23%, sendo de 18% na liderança”, comenta a executiva. Diz que ainda estão percorrendo o caminho, mas já se orgulham em ter a primeira inclusão de mulheres trans na floresta do Rio Grande do Sul, uma cultura tradicionalmente machista.

Ela conta que os resultados de pesquisa só aumentaram. “A gente tinha uma nota em torno de 80% e hoje temos 90% de satisfação dos colaboradores. Aumentamos o engajamento da pesquisa. Para terem uma ideia, a gente começou a fazer as pesquisas no campo, até pela própria dificuldade de as pessoas não terem acesso ao wifi e toda essa logística e nossa última pesquisa teve 92% de participação”. E com resultados de pertencimento e diversidade, expõem Cláudia e ainda completa que se emociona de ver os colaboradores da floresta com uma sabedoria de vida de que somos todos iguais.

Simone faz um contraponto da indústria e seus elementos multiculturais. “Realmente é uma construção, a cada ano a gente evolui e vai aprendendo com nossos funcionários. Começamos com as tradicionais semanas da diversidade que, para quem está começando, funciona. É uma forma de levar para esse evento diversos temas relacionados à diversidade”, reflete a executiva.

E alerta que falar de diversidade em São Paulo é uma coisa, mas falar sobre esse tema para o Brasil todo é diferente e a empresa em que ela trabalha em operações em polos distintos. “O Brasil, com as dimensões que ele tem, as questões são específicas de cada região e como elas absorvem”, fala ela. E afirma que é muito possível possuir ações efetivas de diversidade em todo o país.


“Para mim, a coisa mais marcante que até hoje a gente já teve foram dois casos de transição de gênero de funcionários da operação que passaram por esse processo. Para mim é o auge da complexidade do ponto de vista de Recursos Humanos, afinal você precisa ajudar o funcionário, o gestor, a equipe”, reflete Simone. “Isso se reflete em nossas pesquisas de engajamento com mais de 90% de resultado positivo entre nossos funcionários. Tem um índice específico sobre diversidade com uma questão que pergunta se eu consigo ser eu mesmo dentro da empresa com mais de 80% de resultado bem relevante para a gente.”

Simone e Cláudia também apresentam os trabalhos dos comitês nas questões de Governança e como o planejamento chega às ações de forma genuína, transparente e efetivas.
As considerações finais das participantes enfatizam que não se pode esquecer que quando se fala de diversidade e inclusão, estamos falando de gente para gente. O acolhimento é quase que uma palavra de ordem que precisa estar no centro das ações com empatia e da compreensão das necessidades, ouvindo de fato as pessoas.

É uma jornada de respeito em que as pessoas sempre podem surpreender de forma positiva para deixar um mundo muito melhor para viver.


Assista ao evento completo aqui.

 

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