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O futuro é officeless

Trabalho remoto exige novos modelos de remuneração e propõe novos usos dos espaços corporativos, entendem painelistas do Fórum Melhor RH Tech

de Redação em 6 de dezembro de 2021
Sala de reuniões vazia – Crédito: Rawpixel.com/ Freepik Rawpixel.com/ Freepik

Marca empregadora, usos dos espaços corporativos e remuneração – tudo está interligado num futuro empresarial cuja realidade é officeless (sem escritórios – em livre tradução) e propõe um novo modelo de trabalho. Trata-se de uma discussão presente no painel “O futuro do trabalho é officeless”, que aconteceu na tarde do dia 16 de novembro, durante o Fórum Melhor RH Tech, promovido pela Plataforma Melhor RH. Participaram do painel Priscila Cotti, diretora de People & Organization e Comunicação, Brasil e Cone Sul na Sandoz, Telma Gircis, líder de Recursos Humanos da Intel América Latina e Canadá, e Rafael Ricarte, líder de Produtos de Carreira da Mercer, cada um trazendo sua perspectiva sobre o tema.

A executiva da Sandoz, Priscila, iniciou o evento indagando qual era a percepção dos demais participantes sobre como se deve preparar a liderança para a gestão híbrida (de colaboradores remotos e presenciais).  Telma, da Intel, respondeu prontamente, ressaltando que é preciso formar líderes para que tenham confiança em seus times. Ela não ignora que o remoto trouxe uma importante quebra de paradigma, exigindo habilidades extra de comunicação e conexão com as pessoas, para manter viva a cultura da empresa e o senso de pertencimento. Destacou, porém, que a confiança é o fio condutor de tudo isso.

“A gente sabe que as pessoas estão trabalhando de casa, dando seu melhor, sendo eficientes. A pandemia nos ensinou isso. A gente aprendeu a trabalhar de casa – não só aprendeu, como gostou disso”, entende a executiva da Intel, mencionando a grande dúvida que pairava no início da pandemia, se seria mantida a produtividade dos colaboradores, com o home-office no isolamento social. Conferido que sim, é a mesma – e até maior –,  “os líderes precisam, então, confiar no seu time, disseminando a cultura [da empresa], mesmo de forma remota”.

Ricarte, da Mercer, lembrou que tudo dependerá do mindset de gestão do líder – a mensuração de resultados sempre se baseou nas horas trabalhadas, presença física e agora está migrando para um modelo que leve em conta entregas, o que está sendo produzido, efetivamente, e não o horário ou local em que a pessoa está trabalhando. “Mindset, comunicação e walk the talk serão fundamentais para prosseguir com o novo modelo de trabalho”, ressaltou o executivo.  “Para melhorar cultura, clima, é preciso o walk the talk”, enfatizou, sobre o líder “praticar o que fala”, sentido da expressão mencionada em inglês, sobre novas regras para o officeless


Reprodução tela de evento #FMRHTECH
Crédito: Reprodução
Tela do encontro entre os executivos Ricarte (Mercer), Telma (Intel), acima, e Priscila (Sandoz), abaixo – bate-papo sobre novos paradigmas officeless durou aproximadamente 40 minutos

Um novo propósito para os escritórios

Telma, da Intel,  por sua vez, perguntou aos demais para que vão servir os espaços físicos das companhias, já que muitas abraçaram a redução de custos do trabalho officeless como estratégia financeira.  De sua experiência na Intel, ela mencionou o uso dos escritórios da empresa destacadamente para o trabalho colaborativo.  “Cada gerente vai ter que definir com a equipe o que é colaboração”, entende a executiva. Ela considera a sede da empresa essencial, ainda, para ações de  team building (construção e integração de times), e para aquelas reuniões em que seja realmente necessário o “olho no olho”. “Ir no escritório para usá-lo apenas como espaço de trabalho com seu laptop não faz mais sentido.”, disse Telma.

Para Priscila, da Sandoz, o escritório é importante na questão da conexão, da concentração, porém entende que o propósito dos escritórios não é mais o mesmo. Citou o exemplo de jovens que moram sozinhos para os quais a estrutura de um refeitório no local facilita a vida, bem como aqueles para quem a presença de uma academia ou outros espaços de convivência são diferenciais. A pergunta, agora, para a executiva, deve ser “como tornar os escritórios espaços atrativos para o público da companhia?”.

Ricarte, da Mercer, relaciona o uso do escritório à marca empregadora da empresa. “Terá a ver com o que as empresas querem oferecer como experiência ao profissional, a jornada do colaborador, desde a atração até a saída”, entende o executivo. “Qual identidade eu quero imprimir? Eu gostaria de construir uma identidade em que seja preciso deixar as pessoas mais próximas? Ao responder essas questões, o propósito do escritório vem a reboque”, afirmou . “A gente vai ter um ano para que os espaços se remodelem. Mas é preciso perguntar às pessoas o que elas realmente esperam.”

Remuneração baseada em quê?

Ricarte lançou, ao fim do painel, a dúvida: como remunerar os profissionais, uma vez que o mercado, mesmo sem barreiras geográficas para as contratações, ainda possui parâmetros locais de salários e benefícios?

A necessidade de refletir sobre novos modelos de remuneração, seja baseada na competitividade da empresa, em relação aos benefícios que oferece, seja no molde “pay for skills”, que remunera pela competência dos colaboradores, ficou evidente para todos os participantes, tendo em vista disparidades salariais que chegam a 30% apenas em função daquilo que se pratica regionalmente, comparando-se nordeste e sudeste brasileiros, por exemplo. O momento no entanto é de transição e testes. De atenção e carinho das áreas de compliance e jurídica para os novos conceitos anytime/ anywhere (qualquer hora e lugar) de trabalho. Do entendimento do que seja a remuneração adequada e as melhores políticas de dados e controle da jornada junto ao colaborador.

Os participantes encerraram o evento com outra reflexão sugerida, desta vez sobre os aprendizados das empresas e de suas equipes durante pandemia: ter mais resiliência, dar atenção ao que realmente importa, que é possível ser super produtivo, mesmo nas maiores adversidades.

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