Saúde

47% das empresas não investiram na saúde mental durante pandemia

Pesquisa também revela que apenas 28% dos entrevistados se sentem confortáveis em conversar com o RH de suas empresas

O estudo “Saúde Mental em Foco”, realizado pela Vittude, empresa de psicologia online e saúde emocional corporativa, em parceria com a Opinion Box, revela que 47% das empresas brasileiras não adotam nenhum procedimento para cuidar da saúde mental de seus funcionários. Apenas 11% delas oferecem terapia pelo plano de saúde e somente 28% dos pesquisados afirmam se sentir confortáveis em conversar com o setor de Recursos Humanos de sua empresa.

Os dados mostram que para 41% dos participantes, a principal sensação nos últimos meses foi o “medo intenso de que alguém próximo ficasse doente ou morresse”. 33% apresentaram insônia e o mesmo número sofreu crises de ansiedade após o início da pandemia.

Com a drástica mudança de rotina dos brasileiros, preocupações relacionadas à saúde tornaram-se muito relevantes. 48% afirmam que deixaram de fazer aquilo que lhes dava prazer, como atividades físicas ou de lazer. Para 33%, houve sobrecarga com o acúmulo de funções e 24% tiveram dificuldade em manter a rotina de casa funcionando.

Trabalho e produtividade

A pesquisa, que busca traçar um panorama sobre o bem-estar psicológico dos trabalhadores brasileiros, ouviu 2007 pessoas de todas as regiões do Brasil durante os dias 14 e 19 de outubro. Participaram do levantamento profissionais de diversos segmentos, de funcionários de multinacionais até empregados de pequenos negócios, passando pelo comércio, serviços públicos e até profissionais da área da saúde, que trabalham na linha de frente do combate à pandemia.

Dos participantes, 32% ainda está em home office em tempo integral e 12% exerceu essa modalidade de trabalho, mas já voltou para o regime presencial. Em relação à produtividade no trabalho, as respostas se dividiram. Para 29% ela piorou, enquanto 26% se sentem mais produtivos atualmente.

Quanto à concentração e criatividade, as respostas também seguiram caminho parecido: 32% sentem que capacidade de focar em algo piorou e 22% sentem que perderam a criatividade. Por outro lado, 25% viram a concentração melhorar e 29% estão mais criativos. 

Preocupação das empresas

É papel das empresas oferecer aos funcionários um ambiente seguro e colocar a saúde deles como prioridade. 25% dos inquiridos, no entanto, sentem que seus empregadores não estão preocupadas com o tema.

Sobre o comprometimento das companhias em relação ao bem-estar, algumas iniciativas foram adotadas nos últimos meses. Entre os principais procedimentos estão informativos trazendo cuidados com a saúde mental (23%), equipe psicológica ou de saúde (18%) e encontros presenciais ou virtuais sobre o assunto (17%).

Tratar de saúde mental ainda é um tabu, especialmente no ambiente corporativo. Dados da pesquisa constatam que 50% dos funcionários se sentem à vontade para conversar com um psiquiatra ou psicólogo. Porém, se este mesmo profissional for indicado pela empresa, a porcentagem cai para 36%.

O número de funcionários que se sente à vontade para conversar com seus líderes é ainda menor: 33% se sentem confortáveis para conversar com seu gestor direto. 

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